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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

glórias alheias


Cecília

26
Jun19

Os soldados de Mafra estão já no limite daquilo que os generais esperam deles, porque são o povo. E todos os povos regressados à condição de rebanho se cansam de morrer em seu próprio nome, quanto mais por uma glória que os deixa no anonimato. Nas pequenas misérias do dia-a-dia, num pequeno burgo dos confins da Península, os libertadores vão descobrindo o seu cansaço e amolecendo numa missão que se esfuma na sua condição de estrangeiros, condição que os povos «libertados» se não esquecem de lhes lembrar. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

quem diz muito que vai, não vai


Cecília

18
Mar19

Quem é homem de bem não trai o amor que lhe quer seu bem.

Quem diz muito que vai, não vai, assim como não vai, não vem…

Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém.

 

Vinicius de Moraes

 

 

 

ver o espelho


Cecília

02
Mar19

Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.

Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo.

 

Pablo Neruda

 

 

 

 

na distância


Cecília

18
Fev19

Todos te viram ninguém te viu e foi então que vi

eras tu não eras tu jamais e eras tu

e sem nome na tua boca sem tua boca

eu vivi na distância inerte e nu 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

mulher de alma forte


Cecília

18
Abr18

aprende então a ciência da vida, e quando te meteres a romancear, esforça-te por conhecer um pouco melhor o coração humano. Nunca tenhas por ideal uma mulher de alma forte, desinteressada, corajosa e casta. O público apupá-la-ia e saudá-la-ia pelo odioso nome de Lélia, a impotente. 

Impotente! Sim, arre!,impotente perante a adulação, impotente perante a vilania, impotente perante o medo que te tem (...) Mas, quando encontras uma fêmea que consegue passar sem ti, a tua vã virilidade transforma-se em exaltada paixão, e a tua exaltada paixão é repreendida com um sorriso, um adeus, um esquecimento eterno. 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)