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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

11 Out, 2019

sinuosos arpões

Num sinuoso acesso de dor  subia-se à felicidade como um peixe arpoado pela corola activa da fêmea. Ajoelho ante essa fúria sensual...      Paulo da Costa Domingos in CAMPO DE TÍLIAS     Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994) Antígona (1995)      
30 Set, 2019

ser eterno dentro

Volto a ser uma dama instada ao amor às solicitações e aos rigores vibráteis do corpo e mais, muito mais, à respiração ondulatória porque eu sou da terra o sismo e o fulgor só pelo negrume de meu amado respondo.   Entristecem-me as promessas mínimas do ventre aberto por força do pouco e do muito ele querer a paz do coágulo, a dor, o espasmo e o rubi ai tudo posso dar-lhe, ao meu adepto, ruína das lutas, o soma, o sarcófago e até o ser eterno dentro de mim.     Pau (...)
Em Portugal, segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa média de suicídios está acima da média global, nomeadamente 13,7 por cem mil habitantes, face a uma taxa mundial de 10,7. Ainda segundo a OMS, suicidam-se diariamente em todo o mundo cerca de 3000 pessoas, uma a cada 40 segundos. E por cada pessoa que se suicida, 20 ou mais cometem tentativas de suicídio. O número anual de suicídios representa cerca de metade de todas as mortes violentas registadas (...)
11 Jul, 2019

faxina deliciosa

Hoje Eu Sei Vanessa da Mata / Jonas Myrin (Sereia de Água Doce / Duva Songs/Songs of Universal, Inc. [BMI])   Na minha vida hoje eu sei Quem é dor, quem é luz, quem é fuga Quem estraga ou quem estrutura Quem é adubo, terra ou rosa Hoje eu sei quem é conto, romance ou prosa O silêncio amigo ou a cobra Só não sei quem é o mistério Ninguém me ensinou a amar Me cuidar ou escolher Das sutilezas entre tédio e paz Sempre acompanhada e só, Merecia muito mais, de mim mesma O (...)
11 Jul, 2019

honra deliciosa

Vá Com Deus Vanessa da Mata (Sereia de Água Doce)   Vejo o povo dizer Que perdeu um amor Que quando estava lá Só rimava com dor Isso não é perda Isso é livramento Nesse mundo tonto Que vive rodando Vejo tanta gente desesperada Criando histórias Criando pessoas Criando paixões Medo da solidão Qual é o problema De estar na sua própria companhia? Vi um casal com sangue Ligação de ódio Eu sei que os dois Já não viviam Andavam nas ruas Meio mortos vivos Até que (...)
24 Abr, 2019

cuspir como Deus

Kuhn é um insensato. Não vê, na cama ao lado, Beppo, o grego, que tem vinte anos, e que depois de amanhã irá para o gás; e que, sabendo-o, fica deitado olhando fixamente a lâmpada sem dizer nada e sem pensar em mais nada? Não sabe Kuhn que a próxima será a sua vez? Não percebe Kuhn que hoje aconteceu uma coisa abominável que nenhuma oração propiciatória, nenhum perdão, nenhuma expiação dos culpados, nada, em suma, que esteja em poder do homem fazer, poderá nunca mais cancelar? (...)
27 Fev, 2019

a última marcha

Todos os prisioneiros sãos (excluindo alguns bem aconselhados que, à última hora, se despiram e se esconderam nalguma cama de enfermaria) partiram na noite de 18 de janeiro de 1945. Deviam ser cerca de vinte mil, provenientes de vários campos. Desapareceram quase todos durante a marcha de evacuação: Alberto foi um deles. Talvez alguém escreva um dia a história destes homens.    Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947) Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)     THE DEATH MARCH (...)
18 Fev, 2019

na distância

Todos te viram ninguém te viu e foi então que vi eras tu não eras tu jamais e eras tu e sem nome na tua boca sem tua boca eu vivi na distância inerte e nu    António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & Alvim (2018)      
14 Fev, 2019

cupido sangrento

«Tudo cança a esperança dos homens mais fiéis ao culto da razão» Madame de Staël     Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991) Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)