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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

22 Out, 2019

tempo

  Põe o tempo o cuidado que ignora o ouvido e que o livro não dá. É dele este silêncio, este saber, este ouvir e calar. (...) É dele o pouco a pouco, o aproximado, o justo.  (...) É doce e grande  o tempo. (...) Põe o tempo o cuidado. Mas não põe as estrelas.   Perde o olhar o brilho. Mas o mar não se perde.        António Ramos Rosa in Antecipação à Velhice - Obra Poética I Assírio & Alvim (2018)        
01 Jul, 2019

suavemente voraz

Os dentes, porque são dentes, iniciais. Na espuma, porque não são saliva estas ondas pouco mordentes; este sal que sobe quase doce; donde? Numa espécie de fogo: amor é fogo que arde sem se ver; porque não é de facto fogo este frio aceso; da saliva à lava passa pela espuma. Só os dentes. Duros, ácidos, concentram-se tacteando a pele, tatuando signos sempre moventes de fúria. Mordida a pele cintila; espelho dos dentes, do seu esmalte voraz; suavemente.   Carlo (...)
06 Mai, 2019

beijo

E de novo a armadilha dos abraços. E de novo o enredo das delícias. O rouco da garganta, os pés descalços a pele alucinada de carícias. As preces, os segredos, as risadas no altar esplendoroso das ofertas. De novo beijo a beijo as madrugadas de novo seio a seio as descobertas. Alcandorada no teu corpo imenso teço um colar de gritos e silêncios a ecoar no som dos precipícios. E tudo o que me dás eu te devolvo. E fazemos de novo, sempre novo o amor total dos deuses e (...)