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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

descrentes, desvividos

06.12.24

era uma descontente, e os descontentes sempre têm mais que dizer do que os outros, ou por mais palavras. Grande parte da literatura dos tempos mortos da política é feita com o verbo dos descontentes. 

 

Agustina Bessa-Luís – Fanny Owen (1979)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

https://www.moisescartuns.com.br/2022/02/

essência

24.05.23

And it came to him then that it should never be taken lightly, the essential loneliness of people, that the choices they made to keep themselves from that gaping darkness were choices that required respect 

 

Elizabeth Strout – Olive, Again (2019)
Penguin Random House UK (2019)

 

 

à escolha do freguês

16.02.23

O senhor é o exemplo do estado caótico da sociedade. Talento sem bom-senso; barbárie e cultura; grandes princípios e falta de espírito para os exercer. Sensibilidade e egoísmo que a simula; discursos pomposos e miséria da experiência. 

 

Agustina Bessa-Luís – Fanny Owen (1979)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

pós cupidos geracionais

15.02.23

Dona Rita, habituada a ser obedecida, só entendia a traição como forma de dissidência. Aceitou com relativa urbanidade a fuga do marido e não cortou relações com ele.

- Marido velho vira parente - dizia.

 

Agustina Bessa-Luís – Fanny Owen (1979)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

vida de mesa

21.07.22

A conversa foi maciça de banalidades apoiadas por um lento cabecear do criado, que parecia sair das trevas com as suas luvas brancas, mais no jeito de estrangular um convida do que de servir-lhe o fricassé.

 

Agustina Bessa-Luís – Fanny Owen (1979)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

 

lusotropicalismo

22.06.22

No presente, esta mesma memória de cariz lusotropicalista justifica a negação do racismo e da discriminação na sociedade portuguesa. Crê-se que uma sociedade com uma história de tolerância como a descrita pelo lusotropicalismo não poderá, hoje, ser capaz de discriminação racial. Questionar esta representação da história equivale a questionar uma identidade nacional positiva e por essa via a autoestima coletiva.

 

Jorge Vala  – Racismo, Hoje, Portugal em Contexto Europeu (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jorge Vala (2021)

 

 

esmagar a rotina que esmaga

fardos da família já nenhum assusta

31.03.22

Entre formação e atendimento propriamente dito, Ricardo trabalhava para a Livingbrands Portugal há três meses, altura em que lhe propuseram subir de patamar. Deixaria para trás os telefones e os tablets e passaria a dar assistência a quem comprava computadores, portáteis e de secretária. «Foi a partir daí que as coisas começaram a correr muito mal para o meu lado.» A mudança de funções implicou uma semana de formação específica e um crescimento na exigência do serviço a prestar, sem qualquer melhoria na remuneração. «Achavam que ficávamos gratos pela simples aposta em nós.» Mas foi o aumento da pressão que acabou por arruinar a experiência de trabalho de Ricardo. «Comecei a ter de lidar com problemas muito mais complexos, e eu achava que não tinha apoio nem competências suficientes para os resolver. Ao fim de pouquíssimo tempo, disse-lhes que a coisa não estava a resultar, partilhava com eles as minhas inseguranças, e eles mandavam-me continuar: "Está tudo a correr bem, não te preocupes."» Dada a elevada rotatividade de funcionários desde as fases mais embrionárias do processo, os responsáveis tentam responder às crescentes solicitações e aos objectivos da Apple com a matéria-prima que têm à mão, com aqueles que se aguentam há dois, três meses. Nesta fase, e tendo em conta as saídas constantes, acabam por ser encarados quase como seniores do serviço de apoio ao cliente. «Eu achava que não estava a corresponder e comecei a entrar mesmo em stress, sentia dores de cabeça terríveis - sempre as tive, mas ali agravaram-se -, sentia ansiedade, pânicos.»

 

Pedro Vieira – Em que posso ser útil? (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos e Pedro Vieira (2021)

 

 

ladrei-te, meu bem (e sempre ladrarei)

25.03.22

"Es la canción con la que quiero definir -en esencia- a ese grupo de personas que solemos ladrar, pelear ante la vida y la adversidad, hacerles frente a veces con dureza, a veces firmes como una roca, pero siempre en el ánimo de arreglar las cosas. Para los amantes de la diatriba no beligerante, esa que aspira a escuchar todas las posturas manifiestas. Esas personas. Esas. Esas que son tan distintas de las que nunca dicen nada pero que, cuando menos lo esperas, atacan y asestan un mordisco mortal para herir como única finalidad.

Yo ladro, mucho, pero no muerdo. El bozal es para los que muerden. Esto lo digo como mujer."

 

Vega.

 

 

Qu'à t-on fait de la vérité?

18.03.22

Não faz nada. É uma pessoa que não faz nada e a quem esse estado de não fazer nada ocupa a totalidade do tempo.

 

Marguerite Duras – Olhos Azuis, Cabelo Preto (1986)

Colecção Mil Folhas / Bibliotex SL / M.E.D.I.A.S.A.T. e Promoway Portugal Ltda (2002)

 

Plus j'avance et plus je sais
Que t'es là, toi mon ego
Faut que je m'en aille
Je sais que je déraille
Aujourd'hui je t'écris
Je brûle tout ce que tu me dis, maudit
Vomis tout ce qui brille
La guerre s'en suit
On est loin, on est loin
Du jardin d'Eden
Éternelle réalité
Libérez, libérons, nous de nous-même
Qu'à t-on fait de la vérité?
Brisez les, brisez les, brisez toutes les haines
Dévoilez, n'affrontez que moi
Le seul combat
Auquel je crois
C'est contre moi, moi, moi, moi, moi
Libère ton esprit
Ecoute chanter le monde
Pourquoi passer sa vie
À courir après une ombre?
Juste une pâle copie
Une voix qui t'entraîne
Et petit à petit
Elle prend ton oxygène
We are the war
The war en nous même
J'veux voir
J'veux voir
J'veux voir la lumière
Libère toi
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego
On est loin, on est loin
Du jardin d'Eden
Entre joie et fatalité
Libérez, libérons, nous de nous-même
Pourquoi souffrir lorsqu'on peut s'aimer?
Brisez les, brisez les, brisez toutes les chaînes
Dévoilez, être que soi
Le seul combat
Auquel je crois
C'est contre moi, moi, moi, moi, moi
Libère ton esprit
Ecoute chanter le monde
Pourquoi passer sa vie
À courir après une ombre?
Juste une pâle copie
Une voix qui t'entraîne
Et petit à petit
Elle prend ton oxygène
We are
The war
The war en nous même
J'veux voir
J'veux voir
J'veux voir la lumière
Libère toi
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
C'est l'é, c'est l'é, c'est l'é, c'est l'é
L'ego, l'ego, l'ego, l'ego
Libère toi

 

desacordo audiológico

17.03.22

«Não acabei a formação porque na altura o meu pai queria ir para o Brasil e convidou-me para ir trabalhar com ele. Fui fazer vendas. Foi difícil. Para teres uma noção, eu falava português e toda a gente na rua me perguntava se eu era argentino ou paraguaio[...]»

 

Pedro Vieira – Em que posso ser útil? (2021)

Fundação Francisco Manuel dos Santos e Pedro Vieira (2021)