Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Amelia Earhart


Cecília

24
Jul18

 

Courage is the price that Life exacts
for granting peace.
The soul that knows it not
Knows no release from little things:
Knows not the livid loneliness of fear,
Nor mountain heights where bitter
joy can hear
The sound of wings.
How can life grant us boon of living,
compensate
For dull gray ugliness and pregnant
hate
Unless we dare
The soul's dominion? Each time we
make a choice, we pay
With courage to behold the resistless
day,
And count it fair.

 

 

Courage -  Poem by Amelia Earhart

 

 

 

Amelia Mary Earhart

(24 de julho, 1897 — desaparecida em 2 de julho de 1937)

 

 

 

equívoco tão moderno na avaliação de uma mulher


Cecília

08
Mar18

É verdade que Sand sente necessidade de dar - afecto, tempo, cuidados, carinho, atenção -, mas desde que tal não equivalha a renunciar à sua liberdade de pensamento e à sua independência. Esta dualidade é visível através de um subterfúgio estilístico: de facto, Sand refere-se a si mesma, alternadamente, no género feminino e masculino. É ela a primeira, aliás, a ser apanhada nessa contradição, nesse equívoco tão moderno que avalia a mulher enquanto independente ou amante, nunca considerando ambas as condições. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

 

a curva que importa


Cecília

08
Mar18

- Me gustaría que te quedaras, si puedes. Seguramente pasaré la noche aquí, si te parece bien. No he cogido habitación. 

- Sí, por supuesto. 

- Me apetece repetir.

- No te parece que estoy...

- ¿Qué?

- ¿No te parece que estoy muy gorda?

- No, para nada. Me gustan las mujeres con curvas, me reconfortan. 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

 

M de... Manon


Cecília

08
Mar17

O drama de Manon foi apresentado pela primeira vez no texto As Aventuras do Cavaleiro des Grieux e de Manon Lescaut, de 1731, Tomo VII do livro do abade Antoine-François Prévost intitulado Memórias e Aventuras de um Homem de Qualidade que se Retirou do Mundo. Adaptado diversas vezes em peças, óperas e filmes, o tema conhece duas versões coreográficas principais, ambas dos anos 1970: a de Kenneth MacMillan e a de Peter van Dyk. Em comum, essas versões tem apenas a época e o tema. Enquanto Van Dyk coreografa sobre músicas de Mozart, MacMillan usa obras de Jules Massenet, compositor francês de muitas trilhas sonoras para cena, incluindo uma Ópera chamada Manon.

Porém, a trilha sonora que Leighton Lucas organiza para a obra de MacMillan parte dos trabalhos de Massenet, mas usando diversos trechos de composições líricas e sinfônicas do músico, e nenhuma passagem da ópera Manon do compositor. A existência de uma ópera de Massenet e de um ballet com música de Massenet para o mesmo tema responde pelo fato de no Reino Unido e Estados Unidos o ballet de MacMillan se chamar simplesmente Manon, e na França, onde já existia o registro da ópera de Massenet com esse título, para evitar confusões a obra foi chamada de A História de Manon (...).

 

A história também é um interessante reflexo da moral francesa ao final do governo de Luis XIV. Retrata jogatinas, libertinagem, desejos de glória, roubos e traições, numa pintura da decadência de um período que beira o deboche do “dilúvio” (da frase, atribuída à amante oficial de Luis XV, a Marquesa de Pompadour, “depois de mim, o dilúvio”). O enredo apresenta Manon, filha de 16 anos de um militar, sendo escoltada por seu irmão a caminho de um convento. Em um albergue, eles cruzam com Monsieur de G.M., um cavalheiro de idade, que se interessa por Manon, e por cuja fortuna se interessa o irmão da moça, se propondo a ajudar G.M. a estabelecer um relacionamento com sua irmã. Quando Manon cruza com o jovem Des Grieux, os dois se apaixonam e fogem para Paris, com o dinheiro que G.M. havia dado a Manon.

O dinheiro dura pouco em Paris, e Des Grieux escreve a seu pai pedindo ajuda. Vemos uma Manon apaixonada por ele, mas encantada com a vida fácil. Manon, sozinha na casa do casal, é surpreendida por seu irmão, acompanhado pelo Monsieur G.M., e ela, pensando na fortuna de G.M. decide por seduzi-lo e deixar Des Grieux. Quando Des Grieux volta pra casa, ele encontra apenas Lescaut, o irmão de Manon, que tenta o convencer de que a ligação de Manon com G.M. só pode ser financeiramente proveitosa para eles todos.

No segundo ato, vemos o Hotel Transylvania, famoso endereço parisiense que, nas noites, se transformava em cassino. Lá, Manon e G.M. vão para aproveitar a noite elegante da cidade. Quando Des Grieux chega, ele tenta convencer Manon a voltar pra ele, mas ela, seduzida pela vida luxuosa com G.M. sugere que Des Grieux tente a sorte numa partida de cartas, durante a qual ele é surpreendido trapaceando, desencadeando uma briga de espadas em que ele fere G.M. no braço, na sequência fugindo com Manon. Manon está decidida a fugir, mas levando os diamantes de G.M. lhe havia dado, e nesse caminho eles são surpreendidos pela polícia, com Lescaut preso, e à procura de Manon, acusada por G.M. de prostituição. Durante a briga da captura dos dois, Lescaut é mortalmente ferido.

O terceiro ato se passa em Nova Orleans, colônia penal nos Estados Unidos, onde chegam, presos, Des Grieux e Manon. A menina desperta o interesse de um carcereiro, que decide possuí-la mesmo que à força, mas que é morto por Des Grieux em defesa de Manon. Manon e Des Grieux conseguem fugir, e erram perdidos e exaustos. Em um delírio, ela revê as imagens de sua vida e compreende que já não tem mais chances de realizar seus sonhos, caindo nos braços de Des Grieux e morrendo.

A história de Prévost teve um sucesso enorme desde sua publicação. Elogios a ela são constantes por autores posteriores. Novela imoral e verdadeira, ela dá início a uma tradição que vai permitir a criação de personagens como Madame Bovary, e A Dama das Camélias: mulheres que não pedem desculpas por seguirem seus instintos, que não têm medo de quebrarem regras e não atenderem ao que seja esperado delas. É a característica de Manon, sua mistura única entre o imoral e o sonhador, que mostra a força de uma personagem que carrega toda a história, e todo seu futuro, nas costas e nas mãos.

Importa pouco que seu fim seja trágico, porque Manon garante que, antes do fim, ela tenha feito aquilo que quis. Quando ela cai morta no palco e a cortina se fecha sobre Des Grieux chorando, vemos uma Manon realizada. Vencida, porque seus planos não deram certo, mas não derrotada, porque seus planos foram realmente seus, e a cada vez que um homem tentou determinar sua vida, Manon escapou dele para fazer aquilo que quis.

Talvez por isso o poeta Guy de Maupassant diga que ela é mais verdadeiramente mulher que todas as outras mulheres.

 

in https://daquartaparede.wordpress.com/2015/07/23/lhistoire-de-manon-ballet-de-lopera-de-paris/