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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

11
Fev21

atirar a salvar

Cecília

Ao olharmos para a lista dos emolumentos do consulado de Portugal com os nomes de pessoas que pagaram para obter o visto, é possível constatar a existência de muitos nomes que poderiam ser "suspeitos" segundo os critérios da PVDE. As pessoas falavam umas com as outras e transmitiam os seus sentimentos, os medos e as ânsias de forma espontânea. O cônsul de Portugal começava a ser falado nos lugares públicos, por «ajudar judeus a deixar França», como relata o biógrafo Rui Afonso.

Quando Aristides vem a Portugal para o casamento da filha, já traz na bagagem o início do primeiro caso que vai custar-lhe a carreira: é o caso Wiznitzer - o primeiro visto, passado apenas dez dias depois da entrada em vigor da Circular 14. Arnold Wiznitzer, a mulher e o filho, por terem perdido a nacionalidade austríaca e por serem judeus, tinham-se tornado personae non gratae numa Europa em guerra. O seu único objetivo era sobreviverem e conseguirem sair do continente europeu. Aristides assina-lhes o visto para virem a Portugal apanhar um navio para o outro lado do Atlântico, a 21 de novembro de 1939. Não havia tempo a perder com burocracias, pois Wiznitzer iria ser "internado" num campo de concentração por se encontrar em França de forma irregular. O pedido de autorização para passar o visto foi enviado para Portugal a 27 de novembro por Aristides, repetido a 6 de dezembro, e sempre nada... As autoridades portuguesas nunca responderam de forma séria, pois começaram a dizer em tom de troça que o cônsul primeiro passava os vistos e depois é que pedia autorização, para estar conforme à Circular 14. De facto, enquanto os militares nazis primeiro atiravam a matar e depois é que faziam perguntas, Aristides primeiro salvava pessoas e depois é que se conformava à burocracia lenta e pesada. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

14
Dez20

13+1

Cecília

A morada encontrada foi 14, Quai Louis XVIII, Bordéus.

Catorze, o número de filhos; 14, o número da maldita circular que Salazar iria assinar dentro de um ano, proibindo aos cônsules de carreira a concessão de vistos de entrada em Portugal a certas categorias de refugiados (aos judeus, de forma alguma); 14, o número de anos que iria durar o resto da sua vida atormentada até morrer, em 1954. 

Catorze foram também os anos que o Portugal democrático levou entre o 25 Abril de 1974 e a aclamação da reintegração póstuma de Aristides na carreira diplomática, como ministro plenipotenciário de 2ª classe (embaixador), na Assembleia da República, em abril de 1988. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

 

19
Nov20

pedreiras celestiais

Cecília

o meu pai morrera há uns meses na explosão da pedreira, não sobrou muita coisa mas o que sobrou num caixão decente, com o fato do cunhado porque não se chega ao Paraíso de capacete e mangas arregaçadas 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 Derrocada nas pedreiras de Borba - 19 de novembro de 2018

 

11
Nov20

caminhada

Cecília

Como se seguisse o exemplo do samaritano, a contrariar ordens vindas de homens, Aristides abdicou da carreira, da família, dos amigos e do seu estatuto social, num país que vivia num sistema ditatorial e onde as aparências valiam muito. Preferiu o castigo que se abateu sobre ele e a raiva de certos grupos sociais, que perdura até aos nossos dias neste país. Porém, morreu com a certeza de que a aposta a respeito de Deus tinha sido totalmente ganha. 

Filósofos, pensadores e santos acolheram com grande satisfação a atitude rebelde de Aristides. A Humanidade precisava (e precisa) de gestos desta natureza e dimensão para continuar a sua caminhada. 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

11
Nov20

as bruxas e o além

Cecília

Mas em 2017, 77 anos depois dos acontecimentos de Bordéus, num Portugal democrático, é bom que os cidadãos portugueses possam ver estas "amostras" do regime que oprimiu Portugal. É bom que possam ver como foi a perseguição atroz movida ao meu avô, por ter ousado desobedecer ao chefe supremo dos espíritos e das mentes em Portugal. O chefe que do Além ainda consegue dominar certas cabeças... 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

04
Nov20

mordern Bula (confinamento & chatices afins)

Cecília

As reservas de viagens a bordo de aviões privados dispararam com o anúncio de que Inglaterra iria ser palco de um confinamento. Os mais ricos procuram deixar o país em direcção às suas segundas residências, na esperança de conquistar alguma liberdade em termos de circulação, por exemplo.

“Muitos destes pedidos de voos são para indivíduos que querem ir para as suas segundas casas na Europa, com as Ilhas Canárias, que ainda são quentes nesta altura do ano, a serem o destino mais procurado”, adianta a Air Partner.[...].

Em declarações à mesma publicação, adianta que espera continuar a ver a procura crescer durante o resto do mês, mas com especial incidência de viagens de negócios. A Air Partners, e outras empresas do género, poderão ganhar particularmente com a suspensão de voos das companhias aéreas comerciais.

O novo confinamento deverá entrar em vigor já amanhã, dia 5 de Novembro, e impedirá residentes em Inglaterra de viajar para o estrangeiro até 2 de Dezembro. A única excepção são as viagens de negócios que não possam ser adiadas.

Uma viagem de Biggin Hill, no Sul de Londres, para o Tenerife, por exemplo, poderá custar cerca de 24 mil libras para um grupo de cinco pessoas. Ou seja, aproximadamente 26,7 mil euros.

 

https://executivedigest.sapo.pt/os-mais-ricos-estao-a-fugir-de-inglaterra-e-quem-ganha-sao-as-empresas-de-jactos-privados/

 

 

23
Out20

convenções, proteções, regimes e estímulos

Cecília

Em momentos críticos, a ajuda dos irmãos César e José Paulo, e de primos direitos como Silvério e outros foi essencial para lhe dar algum ânimo e esperança nos últimos 14 anos de vida. A maior parte dos primos direitos vinha do lado Amaral e Abranches que, diga-se em abono da verdade, no verão de 1940 não o aplaudiram exatamente. Esses primos tinham carreiras e famílias a proteger, e estavam bem conscientes da verdadeira natureza do Estado Novo, sabiam que podiam ser atingidos por ricochete devido ao gesto rebelde do primo Aristides - que se tornaria um proscrito e uma espécie de refugiado no seu próprio país. 

Um primo de Aristides, Adolfo Abranches Pinto, que foi general e ministro do exército durante quatro anos, entre 1950 e 1954, que exerceu funções de adido militar em Washington D.C. [...] foi chamado a participar em visitas de comissões internacionais aos campos de concentração, tendo de efetuar relatórios descrevendo o horror que aí viu e a vergonha que são para a espécie humana. Um dia, o primo Adolfo disse para a sua família mais próxima: «Compreendo a posição e a atitude do Aristides durante a guerra. Ele prestou um grande serviço à Humanidade!»

Dizer estas palavras é revelador de bons sentimentos, mas teria sido muito mais benéfico e corajoso da parte de um general - um homem de armas - dizê-lo diretamente a Aristides e a César. Mas a verdade é que o regime ditatorial de Salazar não existia propriamente para estimular a coerência e a dignidade. E as paredes tinham ouvidos... 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

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06
Out20

patamares de consciência

Cecília

https://www.facebook.com/BlackOnBlackCtv/videos/3336583673029763/

 

Se você fica neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor.

Desmond Tutu

 

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