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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

a evitar

Evitar o choro, porque as lágrimas são delibitadoras, e ao abatimento seguem-se reacções violentas e decisões nefastas (...) a fúria é sempre alimento de mais fúria, como as lágrimas o são de mais lágrimas. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

aprende a esperar

Aprende a esperar, pois ninguém conhece o futuro, e é mais do que certo que não o conseguirás submeter à tua vontade. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

puta a um canto

V

 

(À infalível prostituta, a um canto)

 

Se eu quisesse, tornava-te humana.

Fazia-te chorar

as lágrimas que trago em mim. 

 

E beijava-te a boca

a menina que ainda existe 

no fundo dos teus olhos. 

 

Mas não quero. 

 

Prefiro ver no teu corpo 

o desenho da minha indiferença.

E sentir-te na pele

tudo o que há de vil na minh'alma

- e já não cabe em mim. 

 

José Gomes Ferreira in Cabaré 

 

 

José Gomes Ferreira – Poeta Militante I

Círculo de Leitores (2003)

 

 

 

 

margens tantas

- Mi libro, ¿crees que vas a leerlo?

- Supongo que no. A menos que tú quieras. Nunca abro los livros que traen. Reconozcámoslo, la mayoría son malos. Ahora todo el mundo se piensa que sabe escribir (...) Por lo que cuentan, todos son unos genios incomprendidos. Eso es lo que me dicen. Estoy hasta la coronilla de marginados sociales. 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

eu sou só mais um gênio
perdido entre os livros da biblioteca pública
que você gosta de ter ao lado
pra se sentir madura
pra se sentir segura
na confusão

pena que nada disso importa
é pena que nada disso importa
porque eu quero ser o homem que você deseja
quando toma banho
ou quando se masturba
eu quero ser o corpo que você almeja
quando está com fome
ou quando está insone
foda-se o que eu sei
e o que eu te ensinei

eu sou só mais um homem culto e divertido
que você sempre vai levar pros bares pra impressionar amigos
pra se sentir madura
eu sou somente a armadura
na escuridão


é pena que nada disso importa
é pena que nada disso importa
porque eu quero ser o homem que você deseja
quando toma banho
ou quando se masturba
eu quero ser o corpo que você almeja
quando está com fome
ou quando está insone
foda-se o que eu sei
e o que eu te ensinei

eu sou só mais um
(gênio perdido entre os livros da biblioteca pública
que você gosta de ter ao lado)
eu sou só mais um
(gênio perdido entre os livros da biblioteca pública
que você gosta de ter ao lado)
eu sou só mais um
(por que você vem me chamar?)
por que você vem me chamar?
eu sou só mais um
e você vem me chamar

 

 

não és bom, nem és mau


Não és bom, nem és mau: és triste e humano…
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.
Pobre, no bem como no mal padeces;
E rolando num vórtice insano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.
Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas com as virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:
E no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.

 

Olavo Bilac

 

 

dores e confusões

A par da angústia afectiva, existe uma angústia intelectiva,

Embora de sabor absolutamente desigual (...)

Com os dedos gelados, pego no giz.

Nesse gesto, começo a sair da confusão que não consola. 

 

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

 

 

 

então diante de mim

Eu perdi a vez de ser simples, 

perdi a vez feliz de ignorar,

perdi a sábia ignorância,

perdi a graça de não saber.

Deixei passar a vez de ir na corrente 

e de ser como toda a gente 

às carambolas da sorte. 

 

Eu perdi a vez de ser analfabeto,

esse segredo para não ser doutor 

e para não saber também

o que as letras sabem 

do mundo e de mim. 

 

(...) ser ignorante não dói 

não dói tanto como não ignorar!

 

Eu deixei passar a vez de ir na onda 

e de ter o entendimento repartido pelos mais, 

começaram por ensinar-me as letras 

e as letras acabaram por dar comigo 

e eu vi-me então diante de mim 

despegado da onda e da corrente 

diferente de toda a gente 

independente da multidão. 

 

 

José de Almada Negreiros, SEGUNDA MANHàin AS QUATRO MANHÃS
Poemas Escolhidos José de Almada Negreiros - Assírio & Alvim | Porto Editora 2016

 

 

 

 

 

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