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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

15 Out, 2018

passar à realidade

Que o fosso da memória se transponha, que seja a solidão atravessada! Da cálida crisálida renasça de novo para o corpo o corpo todo!   Venham as roucas sílabas da posse no búzio dos ouvidos enroladas! Sobre a teia das veias impalpáveis, reconstrua-se a cúpula dos olhos!   Que tudo, tudo, súbito se emprenhe da realidade que a lembrança apenas em folha de álbum, ressequida, guarda!   Que eu vá de novo decorar-te a seiva, como um poema líquido que seja urgente (...)
25 Jun, 2018

haicai

Nós temos cinco sentidos: são dois pares e meio de asas. - Como quereis o equilíbrio?   David Mourão-Ferreira       Equilíbrio/Força/Harmonia Kim Cruz      
24 Fev, 2017

david

  E por vezes   E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos ... nunca mais são os mesmos. E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos. E por vezes fingimos que lembramos E por vezes lembramos que por vezes ao tomarmos o gosto aos oceanos só o sarro das noites não dos meses lá no fundo dos copos encontramos. E por vezes sorrimos ou choramos E por vezes por vezes ah por vezes num segundo (...)
Talvez houvesse uma flor aberta na tua mão. Podia ter sido amor, e foi apenas traição. É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua ... Ai de mim, que nem pressinto a cor dos ombros da Lua! Talvez houvesse a passagem de uma estrela no teu rosto. Era quase uma viagem: foi apenas um desgosto. É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua... Só o fantasma do instinto na cinza do céu flutua. Tens agora a mão fechada; no rosto, nenhum fulgor. Não foi nada, não (...)
31 Dez, 2016

feliz ano novo

É bom sondarmos os abismos que nunca vão cicatrizando    E ao som da água pressentirmos de onde provimos  aonde vamos    David Mourão-Ferreira -  XXV in O Corpo Iluminado (1987)         SEGUI, Antonio "MAS CAIDOS QUE PARADOS" (Acrílico sobre tela. )  73 x 100 cms.    
27 Jul, 2016

nosso namoro

" Sentar-me-ei na poltrona que fica no vão da janela; olharei o mar, esperando que o dia nasça; e tu, a meu lado, recuada na sombra, continuarás aguardando que seja eu o primeiro a dizer alguma coisa. É preciso inventar? Ou contar a verdade? Só o que invento me comove; só a verdade te emociona. Teremos então de deitar à sorte: ainda não sei qual de nós merece agora reaprender a chorar. "      David Mourão-Ferreira, in "Nem tudo é história"     OS AMANTES e outros contos, Editorial Presença, 8ª edição (1998)