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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

se, mas não é

Cecília, 30.06.20

Se os pecados fossem uma coisa simples, as pessoas só precisavam de deixar de os fazer. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

Aristides II

Cecília, 09.06.20

Disse-me também que queria organizar uma homenagem ao meu avô no Parlamento Europeu, mas teria de ser com a participação dos colegas portugueses do seu grupo parlamentar. Só que em 1986, os colegas portugueses não estavam preparados para tal iniciativa, e não «desejaram» que tal homenagem se realizasse.

Otto von Habsburg não compreendeu esta atitude dos eurodeputados portugueses, e escreveu-me uma carta de consolação, à qual respondi dizendo que era uma questão de tempo. Aliás, a partir deste encontro, Otto von Habsburg, acompanhará e participará na evolução de toda a dinâmica de reabilitação do bom nome do meu avô (...) « Quero mais uma vez dizer-lhe, por escrito, o quanto estou eternamente grato ao seu avô. Foi um grande cavalheiro, um homem de uma coragem e de uma integridade admiráveis, que serviu os seus princípios em detrimento dos seus interesses pessoais. Num período em que muitos homens foram cobardes, ele foi um verdadeiro herói do ocidente. Pode orgulhar-se do seu avô!»

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

 

revisionismos revanchistas

Cecília, 31.05.20

Há ainda gente de "elevada formação académica" que se atreve a sugerir que Aristides de Sousa Mendes era intelectualmente fraquinho. Só podem ser "reencarnações" daqueles que o condenaram em 1940. Como a de um antigo embaixador de Salazar (ainda vivo), que em 2013 publica um volume, com ajuda financeira de "amigos" - O cônsul Aristides de Sousa Mendes - a Verdade e a Mentira -, onde escreve, na página 90: «Nenhum judeu estava em perigo de vida em 1940, ou até de prisão, em França, depois do armistício [do marechal Pétain].» E na página 33, escreve esse senhor: « O que Aristides fez um Junho de 1940, em Bordéus e Bayonne, era passível de três crimes, a saber: desobediência, abuso de poder e concussão.» Para mim, que cresci a saber da forma como o meu avô arriscou a vida e a carreira para ajudar outros, isto não passa de uma alteração e adulteração de valores, numa abordagem revisionista.

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

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formalidades

Cecília, 22.04.20

Sabia também que as pessoas mentiam. E que o faziam de todas as maneiras possíveis. Mentiam umas às outras, mentiam-lhe a ele e mentiam a si próprias. Apanhava versões contraditórias acerca do mesmo assunto. As pessoas inventavam tudo e mais alguma coisa para fugir à verdade. Por isso não eram crentes do fundo do coração. Cumpriam uma formalidade, na confissão. Nada mais. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

 

ambos tinham razão

Cecília, 24.03.20

 

significava que ambos tinham razão ou achavam que tinham razão, em geral diferentíssima mas igualmente convicta, meu Deus a quantidade de verdades opostas que existem 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)

 

 

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mulher(ão) II

Cecília, 14.11.19

Ao contrário do duque, não tinha qualquer vontade de que me sentasse em silêncio junto dele - longe disso. Adorava inteligência e conversa. 

 

Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016)

Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)

 

 

Deux mères (1888)

Maxime Faivre