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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

constelações

18.05.21

No princípio de junho de 1982, António Variações fez a primeira parte do espetáculo dos UHF, na Feira Popular, em playback, e sente-se «mais num ringue do que num palco» diante dos mais de cinco mil jovens que o vaiam e insultam. Apesar de tudo, consegue controlar a multidão, consideando que «valeu a pena, pois são sempre experiências necessárias». Na segunda parte, António Manuel Ribeiro, o carismático líder dos UHF, toma abertamente a sua defesa, e critica a multidão que está ali para o ver e ouvir a ele, dizendo-lhes: «António é uma das poucas pessoas deste País que tenta fazer uma coisa de novo na música portuguesa. Ele precisa de apoio, pois está a tentar formar uma banda e é coerente e corajoso.»

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

figuras cheias de cor

14.05.21

E ele era uma figura apaixonante no deserto desta cidade tão provinciana na época, com uma meia de cada cor, os roupões, o fato-macaco, os sapatos diferentes, o visual tão criativo e tão fantástico. 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

reflexos certos

12.05.21

Luís Ribeiro e Maria Adosinda, o irmão e a cunhada, recordam o gozo que António punha em caricaturar algumas das suas clientes mais altivas, até por ter sentido na pele as barreiras sociais que o tinham marcado com o ferro em brasa do desprezo que os citadinos votavam aos rurais. Tinha 11 anos quando, vindo de Fiscal, Braga, desembarcara em Lisboa, mas os irmãos afirmam que, tanto tempo depois ele ainda «sofria com este tipo de coisas». Por outro lado, os relatos também referem, de forma unânime, o cuidado, o carinho, a gentileza que punha no trato com os idosos, e a forma como costumava dizer: «Toda a gente dá um beijinho e uma carícia a um bebé, mas esquecem-se dos idosos, que têm necessidades ainda mais importantes que uma criança, e ninguém lhes liga nenhuma». Era um homem calado, mas irónico, com um pendor satírico que poucos terão conhecido. Os irmãos e os amigos mais chegados recordam que ironizava muito com as coisas. E reagia, perante alguém que pensava que era superior a ele. 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

soluções automotivas

27.10.16

 

" Os operários portugueses foram recebidos à porta da fábrica da Dura Automotive, que produz componentes eletrónicos para automóveis, na cidade de Plettenberg, por colegas alemães munidos de cartazes, panfletos em português e um tradutor oficial.

Os folhetos explicavam que entre 850 a 900 trabalhadores alemães da fábrica de Plettenberg serão despedidos, segundo disse à agência Lusa Fabian Ferber, representante local do maior sindicato da indústria metalúrgica na Alemanha, o Industriegewerkschaft Metall.

“Há cerca de 11 meses a sede [da multinacional], nos Estados Unidos, anunciou o despedimento de cerca de 850 a 900 pessoas, de um total de 1300″, da fábrica de Plettenberg, explicou Fabian Ferber, acrescentando que até hoje os trabalhadores alemães estão à espera de informação sobre compensações sociais e reformas antecipadas.

Não estamos contra os trabalhadores portugueses, eles não são nossos inimigos. A Dura é que é a nossa inimiga. Nós estamos a lutar pelos nossos empregos”, garantiu. (...) 

“A Dura queria que fizéssemos horas extra para terminar uma encomenda. A empresa tem de gerir as encomendas durante as horas de serviço normais, por isso, a comissão de trabalhadores tem direito a recusar o pedido de horas extra. Foi o que fizemos e, então, trouxeram os trabalhadores portugueses”, afirmou.

O sindicato recorreu aos tribunais que, inicialmente, deram razão aos trabalhadores alemães, mas a empresa apresentou um novo plano de trabalho aos juízes e conseguiu garantir a permanência dos operários portugueses na Alemanha.

O plano da empresa diz que durante a semana a fábrica pertence à Dura Alemanha, ao passo que aos fins de semana a fábrica passa a ser Dura Portugal. A fábrica troca de mãos por dois dias, algo completamente novo”, segundo Ferber." 

 

 

in http://24.sapo.pt/economia/artigos/operarios-portugueses-recebidos-com-protesto-de-colegas-locais-em-fabrica-na-alemanha

 

 

 

reposições de agosto

03.08.16

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"The Gold Rush" - Charles Chaplin (1925)

Casablanca" - Michael Curtiz (1942)

To Have and Have Not" - Howard Hawks (1944)

"It's a Wonderful Life" - Frank Capra (1946)

A Streetcar Named Desire" - Elia Kazan (1951) 

" Dial M for Murder" - Alfred Hitchcock (1954)

 "Rear Window" - Alfred Hitchcock (1954)

Mon oncle" - Jacques Tati (1958)

" La ciociara" - Vittorio De Sica (1960)

Zorba the Greek" - Michael Cacoyannis (1964)

"Nuovo cinema Paradiso" - Giuseppe Tornatore (1988)

"Scent of a Woman" - Martin Brest (1992) 

"Il Postino" - Michael Radford (1994)

The Bridges of Madison County" - Clint Eastwood (1995) 

Carne trémula" - Pedro Almodóvar (1997)

"La vita è bella" - Roberto Benigni (1997)

O Auto da Compadecida" - Guel Arraes (2000) 

O Delfim" - Fernando Lopes (2002)

"The Bank Job" - Roger Donaldson (2008)

"The Reader" - Stephen Daldry (2008)

"Away We Go" -  Sam Mendes (2009)

 " Le Concert" - Radu Mihăileanu (2009) 

"L'Illusionniste" - Sylvain Chomet (2010)

"Rien à déclarer" -  Dany Boon (2010)

"Black Swan" - Darren Aronofsky (2011)

"Intouchables" -  Olivier Nakache / Éric Toledano (2011) 

The Help" - Tate Taylor (2011) 

A Gaiola Dourada" - Ruben Alves (2013)

"Omar" - Hany Abu-Assad (2013)

         " The Lunchbox" -  Ritesh Batra (2013) 

Os Gatos não Têm Vertigens" -  António-Pedro Vasconcelos (2014)

 

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"Late at night,
One of us sometimes has said,
Watching a movie in black and white,
Of the vivid figures quick upon the screen,
“Surely by now all of them are dead”—

(...)

Ignorant of so many things we know,
How they seem innocent, and yet they too
Possess a knowledge that they cannot give,
The grainy screen a kind of sieve
That holds some things, but lets some things slip through
With the current’s rush and swirl." 

 

 

A.E.Stallings in "Noir" 

HAPAX (2006)