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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

04 Nov, 2019

décadas de bocejo

Mas neste início da década de 70, enquanto o mundo dá voltas e que voltas!, os jornais, em Portugal, ocupam-se em noticiar, em grandes parangonas de primeira página, acidentes de automóvel ou calamidades atmosféricas, misturando-as com fotografias de atrizes ou princesas em evidência por qualquer razão menor (...) Um interminável bocejo.    Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018) Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)        
O pai, exímio tocador de cavaquinho e harmónica, era o chefe de uma banda familiar onde todos cantavam e dançavam, congregando, mesmo em alturas mais difíceis, um clima de festa que filho algum conseguiu esquecer.      Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018) Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)        
É que muito antes das portas se terem aberto para deixar entrar o grande público, já António Variações passara estes umbrais e descobrira o seu único, pessoal e intransmissível caminho. Daí a sua singularidade. Daí a sua universalidade.      Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018) Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)         
Eu era teimosa, ele era teimoso. Não me lembro do motivo, sei que nos pegámos os dois. Eu era muito mais pequena, devia-me ter calado. Mas começámos à tareia e o meu pai não gostou. Deu uma tareia nele. Eu fugi  e meti-me debaixo da cama. O meu pai procurou-me até ao fim, não tas vou perdoar. E depois, a tareia que tinha dado ao António deu-me a mim também - relato de Maria Amélia.  Mas não há memórias que o descrevam a subir às árvores para ir aos ninhos, ou outras (...)
Eu tenho um anjo Anjo da Guarda Que me protege de noite e de dia Eu não o vejo Eu não o ouço Mas sinto sempre a sua companhia 1   1 António Variações, «Anjo da Guarda», Anjo da Guarda, EMI - Valentim de Carvalho, 1983    Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018) Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)      
08 Out, 2019

gestos e atitudes

Pelas seis horas da manhã de 3 de dezembro de 1944 (...) Jaime e Deolinda de Jesus Ribeiro foram pais do quinto filho (...) o menino veio a receber o nome de António Joaquim Rodrigues Ribeiro (...)  Jaime Ribeiro era parco de palavras. Minhoto pequeno e encorpado, homem de uma força extraordinária, saía-se melhor com música no que tocava a expressar sentimentos. O que não conseguia dizer, fazia o cavaquinho dizer por si. Ou a concertina. Os seus gestos, porém, eram de uma enorme (...)
02 Out, 2019

personalidade

Em Lisboa António teve, pela primeira vez, a consciência pungente do abismo que separava as gentes da capital dos camponeses que aqui se apeavam atordoados. Tudo os denunciava, a começar pela própria ingenuidade, pelo espanto indisfarçável, sem falar na forma como se vestiam, andavam e falavam. Eram os alvos fáceis e recorrentes da troça citadina. «Ó patego, olha o balão.» - O António quando cá chegou, foi trabalhar com uns primos (...) mas julgo que nunca abusaram dele, (...)
01 Out, 2019

fala-se

No princípio de janeiro de 1956, vivia-se um dos invernos mais rigorosos de que há memória e quando António Joaquim Rodrigues Ribeiro chegou a Lisboa, a cidade estava debaixo de um temporal. A vaga de frio que submergia toda a Europa, chegara a Portugal com o seu cortejo de aguaceiros, temporais, trovoadas e cheias e enxurradas violentas que fustigaram campos, aldeias, vilas e cidades. As inundações catastróficas, no Porto e em Lisboa, ilustram bem o ímpeto das tempestades, que (...)