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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

22 Out, 2019

tempo

  Põe o tempo o cuidado que ignora o ouvido e que o livro não dá. É dele este silêncio, este saber, este ouvir e calar. (...) É dele o pouco a pouco, o aproximado, o justo.  (...) É doce e grande  o tempo. (...) Põe o tempo o cuidado. Mas não põe as estrelas.   Perde o olhar o brilho. Mas o mar não se perde.        António Ramos Rosa in Antecipação à Velhice - Obra Poética I Assírio & Alvim (2018)        
Com as portas abertas eu sou o mar que entra.  Mas sem esquecer o sangue, eu escuto e sei e espero.    António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & Alvim (2018)      
10 Out, 2019

só com loucos

Perfeitamente desesperado é o meu sonho  Os pássaros insultam-me na cama Só com doidos com doidos amaria  perfeitamente presente na frescura do mar    António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & Alvim (2018)        
09 Out, 2019

não saber ganhar

Porque não soube merecer a glória, a mais suave de me deitar a teu lado e que do sangue a palavra abolisse a diferença entre o meu corpo e a minha voz porque te perdi  não sei quem sou      António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & Alvim (2018)          
23 Set, 2019

38

(...) As palavras mais simples têm frio como a palavra amor como a palavra tempo (...) As palavras mais simples são as mais preciosas como uma sombra vã numa rua deserta      António Ramos Rosa in À MEMÓRIA DE PAUL ÉLUARD   António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & Alvim (2018)      
Edouard Manet (1832-1883) La plage à marée basse     Estamos nus e gramamos. (...) As paisagens continuam a existir. As paisagens são suaves. Continuam também a existir outras coisas que dão matéria para poemas. A vida continua.  Felizmente que há ódios, comichões, vaidades. A estupidez, esta crassa crença intratável, esta confiança indestrutível    em si mesmo, é o que felizmente dá uma densidade, uma plenitude a isto. Num mundo descoroçoante de puras imagens é bom (...)
08 Set, 2019

a medida

(...) em nome do sofrimento e da felicidade em nome dos animais e dos utensílios criadores em nome de todas as vidas sacrificadas em nome dos sonhos  em nome das colheitas em nome das raízes  em nome dos países em nome das crianças  em nome da paz que a vida vale a pena que ela é a nossa medida que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias  (...)   António Ramos Rosa in O BOI DA PACIÊNCIA   António Ramos Rosa - Obra Poética I  Assírio & (...)