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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Koi No Yokan *

17.06.21

* Koi No Yokan se refere à sensação após conhecer uma pessoa de que ambos viverão uma história de amor depois de um tempo. É um sentimento diferente do que chamamos de “amor à primeira vista”, uma vez que o amor de fato ainda não existe, somente a premonição de que é algo inevitável.

Koi no yokan é uma expressão que se define por aquela sensação de encontrar alguém e sentir que acontecerá uma grande história de amor com o passar do tempo.

 

Pobre é a pessoa que não sabe quando já teve o suficiente.

Provérbio Japonês 

 

 

[minha] força flor

(ou como se amarguram os que com as flores falham e perdem)

29.05.21

Outros fatores contribuíram para esta alteração no panorama musical. No final dos anos 70, alguns dos melhores artistas de antes do 25 de Abril, estavam nitidamente em crise. Zeca Afonso, farol de gerações, com discos geniais, e outros artistas, «pareciam atravessar uma crise de inspiração». A produção mais panfletária também perdera grande parte do seu interesse e força. As carreiras de cantores e compositores consagrados evidenciavam alguma arritmia. Alguns, nunca conseguirão passar «os anos 80». Como por exemplo, «Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Mendes, toda essa gente que não consegue passar os anos 80, e ali fica, encalhada, com muita amargura nalguns casos»

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

mute

20.05.21

Silêncio do incontível, como

recusar a veemência

desta cegueira? [...]

Artérias vivas,

estrelas, relâmpagos,

jorrarão da obscuridade vermelha?

 

António Ramos Rosa in MEDIADORA DO MUTISMO - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

scoping

25.03.21

People let me tell you I work hard every day
I get up out of bed, I put on my clothes
'Cause I've got bills to pay
Now it ain't easy but I don't need no help
I've got a strong will to survive
I've got a deeper love, deeper love
Deeper love inside and I call it

[Chorus]
Pride (a deeper love)
Pride - a deeper love
(Pride) a deeper love
Woah woah woah woah
It's the (pride) power that gives you
The (pride) strength to survive
(Pride - a deeper love)
(Woah woah woah woah)
Yeah ooh yeah yeah
Yeah yeah yeah yeah yeah yeah yeah

[Verse 2]
Now I've got love in my heart, it gives me the strength
To make it through the day
Pride and love (pride is) oh respect for yourself
And that's why I'm not looking for
Handouts, charity, welfare, I don't need
Stealin', killin', not my feelin'
No backstabbin', greedy grabbin'
Lyin', cheatin' 'cause I've got a
Deeper love, a deeper love
A deeper love inside, I I yeah yeah
I've got a deeper love (deeper), a deeper love (deeper)
Deeper love inside, whoa

[Chorus]
(Pride) a deeper love
(Pride) a deeper love
(Pride - a deeper) love
Woah woah (woah woah)
It's the (pride) power that gives you
The (pride) strength to survive
(Pride - a deeper love)
(Woah woah woah woah)
[Verse 3]
And I wanna thank you for helping me see
There's a power that lives deep inside of me
Give me the strength (give me the strength)
To carry on (to carry on), always be strong
Whoa oh oh oh whoa

Aretha Louise Franklin

(Memphis, 25 de março de 1942 — Detroit, 16 de agosto de 2018)

 

dar valor

15.03.21

O que resta       recomeçar

com uma pedra 

 

O que eu movo 

 

      até

 

   onde não sei 

 

suspendo

e algo avança

                                         à minha frente 

 

 

A mão baixa 

 

                                       aranha de ar 

 

rápida   intranquila 

 

as armas que respiram 

 

o desejo      e a surpresa 

 

[...]

 

O brilho da palavra    igual ao brilho do silêncio 

 

[...]

 

 

O sol sobre os teus braços 

 

 

António Ramos Rosa in  DECLIVES  - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

exemplos que não passam

05.03.21

Mas o tempo passa. Tomé já sabe andar de novo. Consegue dobrar os dedos das mãos. Filipa chora de dores na fisioterapia, mas não desiste e insiste tanto quanto lhe dizem para insistir, para recuperar o mais rápido possível. Em Abril de 2018, os dois ainda não tinham concluído o processo que lhes permitirá receber uma indemnização, mas Tomé encara os 15 mil euros que lhs deverão estar destinados com desânimo. «As indemnizações deviam começar pelos feridos, que estão cá a lutar, que vão ficar com marcas para toda a vida, mas começaram pelos mortos«, diz.

Há alguma amargura nas palavras dos dois. Mas também ironia, quando falam daqueles que dizem «ter-se aproveitado» do incêndio. Dão como exemplo um conhecido que recebeu uma indemnização por um veículo que, supostamente, ardeu no incêndio, quando de facto o carro já só era uma carcaça inútil parada na propriedade do dono há anos. 

 

Patrícia Carvalho – Ainda aqui estou (2018)

Fundação Francisco Manuel dos Santos e Patrícia Carvalho (2018)

 

 

que viagem

18.11.20

Recém-chegado da tropa no ultramar, no início dos anos 70, António ainda não pertencia ao meio musical. Mas, pela forma de estar, de vestir, e de ser, começava a ser um Extraterrestre, num país onde era pecado ser diferente, numa sociedade que tranquilizava os seus terrores arcaicos com a estandardização. «Sempre Ausente», um poema do álbum Anjo da Guarda, ilustra estes tempos e esta busca:

 

Diz-me que solidão é esta 

Que te põe a falar sozinho

Diz-me que conversa

Estás a ter contigo

Diz-me que desprezo é esse

Que não olhas p'ra quem quer que seja

Ou pensas que não existe

Ninguém que te veja

Que viagem é essa

Que te diriges em todos os sentidos

Andas em busca dos sonhos perdidos 

 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

 

 

aprender com o trigo (não se desculpar com o joio)

05.06.20

O rapaz de calças de ganga era, afinal, uma pessoa séria. Tinha estudado muito, no seminário. O pai era um lavrador com posses, como o senhor Rodrigues, e ele só se tinha formado por devoção. Podia ter ido para médico, engenheiro ou professor. Com os conhecimentos do pai, podia estar muito bem na vida. Podia ter investido num negócio ou arranjado um tacho na câmara municipal. Se fosse uma pessoa menos decente, era o que teria feito. Tantos que queriam e não podiam! 

Sem se esquecer de referir o pormenor da indumentária devida a uma pessoa que ocupava a posição dele, o meu pai dizia o mesmo (...)

As calças de ganga eram o defeito do qual ninguém, a não ser Deus, se conseguia eximir. Estávamos servidos para a vida. Que pedíssemos a Deus que o estimasse, todos os dias, nas nossas orações. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

living poem

05.06.20

(...)

porque queres viver

o sol que desejas 

(...)

é ele que te conduz

a si mesmo

*

Espero que ele me invente

onde e aqui eu estou

de novo a respirar

a folha imaginada

(...)

Esta aventura vale?

Não podes desistir

dizer que nada vale

se o nada mesmo enfrentas

 

António Ramos Rosa in O NASCIMENTO DO POEMA - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)