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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

o sol, o pão, o ouro, a Terra e o coração

Deus não é uma entidade separada de nós (...) Ele é o sol, e o pão, e o céu e o ouro do cálice, e as forças da natureza e a Terra, e o coração do homem. Habita em nós e à nossa volta; nós estamos dentro dele, e nunca fora. Espírito universal, revela-se em todo o lado através dos véus opacos e cerrados da matéria, e a nossa alma é um santuário que ele inunda com a sua essência (...) Procure-mo-lo, pois, dentro de nós: quanto mais assim o procurarmos, mais aprenderemos a encontrá-lo, mais transparente será o véu e mais abrasador o clarão misterioso 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

 

olá, alma

“Uma Alma Gêmea pode responder a seus sinais emocionais. Vale decidir: Se deixar cair suas cercas emocionais, quando confia,  receberá de volta toda a atenção. E a Alma Gêmea se move para responder às suas necessidades, toca a sua mão quando está inseguro, lhe abraçará quando estiver alegre e oferece  o ombro com ternura se está sofrendo”.

 

 

in https://www.portalraizes.com/8-dicas-para-reconhecer-sua-alma-gemea/

 

 

 

 

 

piss oas

- Idiotas - disse Jorg, enquanto desciam as escadas - , desperdiçam a vida com disparates e atravancam a minha. 

- Oh, Jorg - suspirou Arlene. - Não gostas mesmo de pessoas, pois não?

Jorg ergueu a sobrancelha, não lhe respondeu. A resposta de Arlene aos seus sentimentos em relação às massas era sempre a mesma; como se o facto de não gostar de pessoas revelasse um defeito imperdoável da alma. Mas ela era uma foda excelente e era agradável tê-la por perto... quase sempre. 

 

Charles Bukowski in Menos delicado do que o gafanhoto - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

mar

Um certo dia, chegou à aldeia o Tio Jaime Litorânio, que achou grave que os seus familiares nunca tivessem conhecido os azuis do mar. 

Que a ele o mar lhe havia aberto a porta para o infinito. Podia continuar pobre mas havia, do outro lado do horizonte, uma luz que fazia a espera valer a pena. Deste lado do mundo, faltava essa luz que nasce não do Sol mas das águas profundas. 

A fome, a solidão, a palermice do Zeca, tudo isso o Tio atribuía a uma única carência: a falta de maresia. Há coisas que se podem fazer pela metade, mas enfrentar o mar pede a nossa alma toda inteira. Era o que dizia Jaime. 

- Quem nunca viu o mar não sabe o que é chorar!

 

 

Mia Couto (texto) e Danuta Wojciechowska (ilustração) – O Beijo Da Palavrinha  (2008)
LEYA | CEM (março 2016)

 

 

 

 

 

 

 

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