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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

04 Mar, 2020

(tão bem) acordada

o que as mulheres engelham enquanto dormem senhores, se as mantivermos acordadas vinte anos sempre      António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018) Publicações Dom Quixote (2018)      
06 Fev, 2020

não parar

- Não pares não pares a pedirmos um ao outro - Não pares e prometo que não paramos  - Não paro não iremos parar, nunca iremos parar porque é agora, palavra, é agora, não sentes que é agora e nós juntos, nós unidos, nós presos um ao outro, que bom, até ao fim do mundo.      António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018) Publicações Dom Quixote (2018)      
23 Jan, 2020

a morte de alguém

Uma das histórias envolvia a duquesa de Vauquelin. Certa noite perdera bastante dinheiro a jogar às cartas. Com o rosto afogueado, passara a mão pela testa e, ao fazê-lo, deslocara uma sobrancelha artificial feita de pelo de rato. Sem que desse por isso, a sobrancelha começara a deslizar-lhe para a cara, sobre a maquilhagem branca do rosto.  - O que nos rimos - contou Sua Graça. - Incluindo a duquesa até a filha lhe explicar o sucedido. Não voltou a ser vista em público desde (...)
21 Jan, 2020

fantasma vivo

Estava exausta por causa do fantasma de um homem vivo. Não são os mortos que devemos recear, porque as suas almas desejam partir. São os vivos que nunca nos deixam em paz.    Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)    
16 Dez, 2019

ponteiros

quantos amantes terão desejado parar o tempo. Teria pago com a alma para parar os ponteiros do relógio.    Wray Delaney - Memórias de Uma Cortesã  (2016) Quinta Essência, Oficina do Livro (2017)      
06 Set, 2019

(g)orgulhos

Orgulhos de bordel... ou calvário.    Paulo da Costa Domingos in Cicatriz     Paulo da Costa Domingos – Carmina (1971-1994) Antígona (1995)   Agora eu vou cantar pros miseráveis Que vagam pelo mundo derrotados Pra essas sementes mal plantadas Que já nascem com cara de abortadas Pras pessoas de alma bem pequena Remoendo pequenos problemas Querendo sempre aquilo que não têm Pra quem vê a luz Mas não ilumina suas minicertezas Vive contando dinheiro E não muda (...)
23 Ago, 2019

who i am: antiga

Já chegou o homem novo, aquele por Whit- man anunciado, embora sujeito a insuspeitos  refrões financeiros. Basta  que um fale  conhecemo-los todos, todos igualmente superficiais, trazem na lapela o sinal emblemático da sua pobreza  de espírito. Outros trazem mais  a regra da indiferença  e nós, as mulheres, cobrimo-nos  com as pinturas da guerra  declarada ao sucesso  do homem novo. Moderno como um fogo cáustico, tudo devora, a Natureza  e as próprias (...)
30 Jan, 2019

sem

  Aqui esperavam-nos o comboio e a escolta para a viagem. Aqui recebemos as primeiras pancadas: e o facto foi tão novo e insensato que não sentimos dor, nem no corpo nem na alma. Só um profundo espanto: como se pode bater num homem sem raiva?     Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947) Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)     Scène du massacre des innocent - 1824 Léon Cogniet