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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

la verdad no se esconde


Cecília

15.02.19

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

 

Martha Medeiros

 

 

 

 

todavia sabemos que


Cecília

12.02.19

Hoje, todavia sabemos que, naquela escolha rápida e sumária, avaliara-se se cada um de nós podia ou não trabalhar utilmente para o Reich; sabemos que nos campos, respectivamente de Buna-Monowitz e Birkenau, só entraram, do nosso comboio, noventa e seis homens e vinte e nove mulheres e que de todos os outros, num total de quinhentos, nem um se encontrava vivo dois dias depois [...] 

Assim morreu Emília, que tinha três anos; porque aos alemães parecia evidente a necessidade histórica de matar os filhos dos Judeus. Emília, filha do engenheiro Aldo Levi de Milão, que era uma criança curiosa, ambiciosa, alegre e inteligente; a ela, durante a viagem no vagão cheio de gente, o pai e a mãe conseguiram dar banho numa tina de zinco, em água morna que o degenerado maquinista alemão aceitara pingar da locomotiva que nos arrastava a todos para a morte. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

peinture_huile_turgis_11.jpg

Souffrance ou espoir d'une délivrance

 

Représentation de la souffrance de ceux qui vécurent dans les camps d'extermination. Si les personnages sont bleus c'est uniquement pour montrer l'universalité dans la persécution. Que ces personnes soient juives, catholiques, bouddhistes, protestantes, musulmanes, ou qu'elles aient la peau blanche, basanée, noire, rouge, jaune, homo bi ou hétérosexuel, cela importe peu, elles ont soufferts elles furent exterminées. Il ne doit pas y avoir de catégorie et d'ordre dans la souffrance et la persécution. aucune n'est mieux que l'autre. 

 

in http://turgis.pagesperso-orange.fr/06c-peinturgis-huile-symbolique-05.html

 

 

ventania dentro


Cecília

18.01.19

Esqueçamos as palavras, as palavras: 

As ternas, caprichosas, violentas, 

As suaves de mel, as obscenas, 

As de febre, as famintas e sedentas. 

 

Deixemos que o silêncio dê sentido 

Ao pulsar do meu sangue no teu ventre: 

Que palavra ou discurso poderia 

Dizer amar na língua da semente? 

 

José Saramago - Finalmente Alegria 

 

 

la risa y el llanto


Cecília

06.08.18

 

Um homem entra em uma palestra, e conta uma piada, todos morrem de rir, ele conta novamente a mesma piada, alguns dão risada, ele conta pela terceira vez, ninguém ri…

Ele sorri e diz:
Engraçado como vocês não conseguem rir da mesma piada, de novo e de novo ?
Mas porque continuam chorando pela mesma coisa, de novo e de novo ?

 

in www.mensagemdodia.com

 

 

Risa y llanto.jpg

 

 

 

cada um é beautifully broken


Cecília

28.05.18

Cada um é feito daquilo que viveu e do modo como o viveu, e isto ninguém lho pode tirar. 

 

 

Italo Calvino  - Palomar (1983)

Planeta DeAgostini (2001)

 

 

 

 

olá, alma


Cecília

24.04.18

“Uma Alma Gêmea pode responder a seus sinais emocionais. Vale decidir: Se deixar cair suas cercas emocionais, quando confia,  receberá de volta toda a atenção. E a Alma Gêmea se move para responder às suas necessidades, toca a sua mão quando está inseguro, lhe abraçará quando estiver alegre e oferece  o ombro com ternura se está sofrendo”.

 

 

in https://www.portalraizes.com/8-dicas-para-reconhecer-sua-alma-gemea/

 

 

 

 

 

mortos iminentes


Cecília

15.03.18

- (...) Soy comercial. Cubro la zona éste de Francia. 

- Parece interesante.

- Lo voy a dejar pronto. 

- ¿Ah? ¿Va a jubilarse?

- No, voy a morirme.

(...)

Rouche se quedó pálido y luego balbució que lo sentía mucho. Maroutou continuó:

- Discúlpeme, no sé por qué le he dicho eso. Además, nadie lo sabe. No hablo del tema. Y ahora, de repente, lo acabo soltando. Y le ha tocado a usted. 

- No se disculpe. Seguro que es importante... soltarlo. Si le parece, aquí me tiene..., en fin, no es que sea yo la alegría de la huerta. 

- ¿Por qué?

- No, sería ridículo. Acaba de decirme que va a morrirse, no voy a ponerme a contarle mis problemas. 

- Sí, por favor - insistió Maroutou. 

A Rouche le pareció una situación incongruente; iba a rememorar sus desdichas para entretener a un muerto inminente. 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

 

dias a sim


Cecília

23.09.17

 

a crítica (...) expressa numa ausência de elogios

 

 

há pessoas que necessitam de um baloiço para o raciocínio

 

 

sempre me fizeram sonhar os comboios

 

 

 

me esqueci da professora mas as vírgulas ficaram, vírgula, segundo ela eram sempre úteis mesmo ao conversar

- Com uma pausazinha na altura certa fica tudo mais claro

 

 

 

muito se morre em Portugal de facto

 

 

o avô do meu marido a abrir a tampa do relógio do colete

- Nove horas

e a fechá-la num estalinho que lhe agradava, se lho emprestasse abria e fechava-o duzentas vezes porque lhe apetecia comer aquele som

 

 

 

apesar de estarmos no outono e uma chuvinha parva, dessa que não molha nem se sente, nos convida ao suicídio apenas, a vizinha triste, a minha mãe triste por contágio que a infelicidade pega-se

 

 

 

o som do pêndulo do relógio da sala, de dia quase mudo e à noite enorme porque no escuro tudo aumenta

 

 

 

não se falavam há anos que o tempo separa as pessoas e depois o esquecimento começa o seu trabalho

 

 

 

- Tenho cinquenta e nove anos caramba

tombaram-lhe como tijolos os cinquenta e nove anos em cima

 

 

 

até um grilo uma tarde na bancada que expulsei com um piparote para o quintal onde mais tarde ou mais cedo uma lagartixa o arrastaria por uma das patas na direcção de uma falha de muro, tudo come tudo neste mundo, é assim, até o mar devagarinho vai comendo os penedos, a nós come-nos a idade

 

 

 

por ser vasta era mais paciente, sempre nervosas, as magras

 

 

 

porque na vida não existem certezas e até Deus muda de humor

 

 

as pessoas são tantas dentro das pessoas que são

 

 

 

adivinhava que me miravam porque um peso em mim, sentimos sempre um peso quando nos olham

 

 

espanta-me que haja pessoas ingénuas capazes de acreditarem nas mentiras das ondas

 

 

 

há coisas que nos agradam ao princípio e o tempo torna sinistras

 

 

que pena as pessoas não se aceitarem como são

 

 

 

e eu calada a engolir-me a mim mesma, como é complicado engolirmo-nos a nós mesmos

 

 

 

derivado ao sol, levo esta luz, esta felicidade, esta paz (...) até nos dissolvermos na luz

 

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

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