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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

bodes, segredos e planos

17.05.21

Hoje, estes documentos são conhecidos e incontornáveis em qualquer trabalho sobre Aristides de Sousa Mendes, tal como o testemunho do rabino Kruger e vários outros, que confirmam a bondade do gesto do meu avô em Bordéus. Para mim, é díficil entender como é que um doutoramento da Universidade de Coimbra, em 2013, ignora totalmente tais testemunhos, e até sugere que o processo contra Aristides, em 1940, foi uma «mentira arranjada pelo regime de Salazar para desviar de si as atenções e proteger um certo secret d'état». Aristides de Sousa Mendes - o mau funcionário, dizem "eles" - serve apenas de bode expiatório para esconder algo de muito superior que estaria a ser projetado por Salazar e pelos seus próximos (a tese de que Salazar, no fundo, era um "humanitário escondido"). Ao que parece, o meu avô ter-lhes-á estragado os planos... 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

encontro

11.03.21

ela quem? - ela, o esplendor do encontro 

[...]

sem a mão do afago e tudo em vão

no vão de tudo ser o encontro aquém do encontro

 

António Ramos Rosa in  O INCÊNDIO DOS ASPECTOS  - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

up!

22.11.20

...lembra-se particularmente bem dele, num cocktail no hotel Sheraton, aí por volta de 1978, com o corpo cheio de ligaduras, «salpicadas e manchadas de encarnado como se fosse sangue, e um casaco por cima. E eu perguntei-lhe, pá, isso é a t-shirt da guerra? E ele, com aquele sorriso desarmante, «não é? Com os tiros que estes gajos me dão?»

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

 

 

se, mas não é

30.06.20

Se os pecados fossem uma coisa simples, as pessoas só precisavam de deixar de os fazer. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

olhar para as coisas como elas são

15.04.20

Não havia volta a dar (...) Há coisas que não param depois de terem sido postas em movimento (...) 

Às vezes é preciso que os anos passem para que uma pessoa consiga olhar para as coisas como elas são. E assim de uma maneira geral as coisas não são o que queríamos.

Mas isso tu já sabes. 

 

Hugo Mezena – Gente Séria (2017)

Planeta Manuscrito (2018)

 

 

 

 

(tão bem) acordada

04.03.20

o que as mulheres engelham enquanto dormem senhores, se as mantivermos acordadas vinte anos sempre 

 

 

António Lobo Antunes – A Última Porta Antes da Noite (2018)

Publicações Dom Quixote (2018)