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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

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Nariz de cera

01
Jul19

suavemente voraz

Cecília

Os dentes, porque são dentes,
iniciais. Na espuma,
porque não são saliva
estas ondas
pouco mordentes; este
sal que sobe quase
doce; donde?

Numa espécie
de fogo: amor é fogo
que arde sem se ver;
porque não é
de facto fogo este frio aceso;
da saliva à lava
passa pela espuma.

Só os dentes.
Duros, ácidos, concentram-se
tacteando a pele,
tatuando signos sempre
moventes
de fúria. Mordida
a pele cintila; espelho
dos dentes, do seu esmalte voraz;
suavemente.

 

Carlos de Oliveira, in 'Pastoral'

 

transferir.jpg

Carlos de Oliveira

(10 de agosto de 1921 — 1 de julho de 1981)

 

4 comentários

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    Cecília 05.07.2019 14:43

    como assim?
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    Anónimo 05.07.2019 20:01

    A mim parece-me que ele não tinha nada para dizer, e foi aproveitar os dentes, a saliva para viajar para outras paragens mais "confortáveis" (o amor principalmente) no "mundo dos poetas."
    Não é que os dentes e a saliva não possam ser explorados poeticamente, mas neste caso ele explorou-os apenas porque sim, porque não poderia dizer nada acerca deles.


    Eu não desgosto do poema. Parece que estou a ser negativo (talvez irónico, atenção que eu só uso a ironia ou o sarcasmo quando conheço a pessoa e esta conhece-me, ou quando a sua interpretação seria muito evidente, ou então para atacar certas instituições burguesas. Até me considero, talvez seja isto mau para muita gente, uma pessoa que usa pouco estas duas figuras de estilo) mas não.
    Aproveito-te para dizer que gosto de vários poetas, talvez um que me tenha tocado ultimamente seja Sofia. Também acrescento Miguel Torga e José Gomes Ferreira.
  • Imagem de perfil

    Cecília 08.07.2019 10:47

    um poeta tem sempre algo a dizer. é o lado negro da missão. não poder deixar de olhar seja para o que for e sem ter logo algo a pular e a falar. 
    (creio que) os dentes, no campo amoroso, são pouco e mal explorados. materializam a fome que a paixão acende e alimenta e são a certeza que se necessita quando sentidos na carne. 
    mas isto vai de cada um. 


    ultimamente tenho lido António Ramos Rosa e a propósito do despropósito que muitos poemas parecem ter, surpreendi-me há uns tempos com Golgona Anghel e o seu Como Uma Flor de Plástico Na Montra De Um Talho ( https://narizdecera.blogs.sapo.pt/tag/como+uma+flor+de+pl%C3%A1stico+na+montra+de+u)
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