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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Ela caminha Nós vemos a nossa vida passar No fio Nós vemos os anos passarem Nós tentamos seguir o caminho certo E nós não podemos rebobinar Todos esses nós em nossas vidas Se pudéssemos desamarrá-los Então me diga como funciona Me diga como funciona Me diga como funciona Me diga como funciona De qualquer forma, andamos em fila Em grupos ou não, caminhamos sozinhos Goste ou não, temos um valor de mercado da juventude até a mortalha Caminhe ou morra, mas caminhe (...)
21 Jun, 2018

binários

Numa época em que a intolerância dos mais velhos em relação aos jovens e dos jovens em relação aos mais velhos chegou ao cúmulo, em que os mais velhos não fazem outra coisa senão acumular argumentos para dizerem finalmente aos jovens aquilo que eles merecem, e os jovens não esperam mais do que estas ocasiões para demonstrarem que os mais velhos não percebem nada, o senhor Palomar (...) percebe que ninguém quer sair dos binários do seu próprio discurso para responder a (...)
07 Jun, 2018

velhice

É errado pensar que a velhice é um declive por onde vamos caindo: muito pelo contrário, subimos, e a passos largos, surpreendentes. O trabalho intelectual faz-se tão rapidamente como nas crianças o trabalho físico. Não é que não nos aproximemos do fim da vida, mas fazemo-lo como se fosse um objectivo, e não o derradeiro e fatal baixio onde encalharemos para sempre.      George Sand – Diário Íntimo Antígona (2004)        
- Qual é o seu conselho para os escritores jovens? - Bebam, fodam, e fumem muitos cigarros.  - Qual é o seu conselho para os escritores mais velhos? - Se ainda estão vivos, não precisam do meu conselho.  - Qual é o impulso que o leva a criar um poema?  - O que é que te leva a cagar?      Charles Bukowski in O Grande Poeta - Música para Água Ardente (1983) Antígona (2015)    
Temos de aceitar o que a vida nos dá e temos de tentar fazer com ela o melhor que pudermos. Era o que o velho dele lhe dizia.   Charles Bukowski in Noite Fria - Música para Água Ardente (1983) Antígona (2015)        
19 Mai, 2017

rugas (II)

Às crianças contamos histórias, E limpeza, ordem e fala lhes pedimos. Aos adultos falamos De afectos e vamos prevenindo que será uma desgraça. Aos velhos apresentamos o resultado.      Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso Assírio & Alvim (outubro 2003)          
19 Mai, 2017

rugas (I)

 Arrugas Rugas     ¿ Quieren tomar algo? – preguntó acto seguido Madeleine.Con mucho gusto.¿ Qué quieren?Lo que haya – contestó Delphine, que ya se había dado cuenta de que más valía no llevarle la contraria. La mujer se fue a la cocina y dejó a los invitados en el salón. La pareja se miró en un silencio apurado. No tardó en volver Madeleine con dos tazas (...)
17 Mai, 2017

marear

Resta-nos ser mareantes e marear (...) Em «nós»   Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso Assírio & Alvim (outubro 2003)       Somos a fachada de uma coisa morta E a vida como que a bater à nossa porta Quando formos velhos Se um dia formos velhos Quem irá querer saber quem tinha razão De olhos na falésia Espera pelo vento Ele dá-te a direcção Ninguém é quem queria ser Eu queria ser ninguém A idade é oca e não pode ser motivo Estás a (...)
15 Abr, 2017

cronometragens

o sobrinho do meu marido para o médico - No meio de frases acertadas vai dizendo tolices (...) o médico para o sobrinho do meu marido - O nosso mal é durarmos demais      António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016) Publicações D. Quixote | Leya (2016)      Jacek Yerka Walking lesson  
26 Jan, 2017

quem tem razão?

Quem tem razão? Qual é o país mais certo? As crianças têm a sabedoria da sua inocência, o livre descontrolo dos sonhos. Os velhos têm a memória distorcida do que experimentaram, têm tudo o que conseguiram não esquecer. Os outros, entre crianças e velhos, têm as suas lutas e ilusões.   José Luís Peixoto, in UP, Janeiro de 2017.   in http://www.joseluispeixoto.net/toda-a-vida-120409