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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

06 Mar, 2019

invasões

Quer desatar-lhe a língua sobre o que se diz nos campos e na vila da vinda dos franceses. Maria não tira os olhos do chão e não larga a bainha do avental. Que roubamos ouros das igrejas e os gados dos lavradores. E que levantam as saias às mulheres? - indaga Frei Francisco com alguma malícia. Também, sim senhor. E Maria Cegonha pensa que para essas malfeitorias não faziam falta os franceses. Ou não tivesse ela servido já outros senhores.    Álvaro Guerra – Razões de Coração ( (...)
07 Fev, 2019

invariavelmente

disse a assistente, com um sorriso triste e cansado de quem trabalhava para pagar as propinas da faculdade, visto que os pais já não tinham posses para isso, de quem fazia turnos extra para conseguir mais algum para pôr numa conta poupança-habitação com o namorado, para se meterem numa casa assim que tivessem acabado os respectivos cursos e tivessem arranjado empregos que lhe dessem aquela segurança de que um casal em início de vida necessitava para se chegar ao balcão e pedir cem (...)
21 Jan, 2019

rotina da magia

É que os clientes quando chegavam do trabalho cansados, desmotivados, prontos para enfiar um tiro nos cornos, sempre passavam por ali - e em vez de chacinarem a família, levantavam o último herói psicopata e com ele arrasavam exércitos de maus em menos de duas horas. O que era o tempo perfeito para voltarem para a cama e dormirem aquelas seis, sete horinhas que os ia deixar fresquinhos para mais um dia de labuta nos cubículos de Lisboa e arredores.    Ricardo Adolfo, Mizé - (...)
isso é bom para burgueses decadentes. Eu sou um intelectual do povo, estás a ver? A minha única parte capitalista são os bolsos. O resto é completamente de esquerda.      Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012) Penguin Random House (2016)        
Aliás, esta falta de dinheiro (...) continuou a fazer-se sentir durante várias dinastias, andando até o faraó muito ralado por não poder elevar o nível de vida da população, sem fazer baixar o seu e o dos seus amigos. Só na quarta dinastia houve massa para construir as pirâmides (...) tais obras de fachada sempre encheram de admiração e pasmo os camelos que circulam em todos os desertos      Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965) Edição (...)
Embora as ruínas das velhas cidades já não sirvam para nos elucidar sobre a qualidade e o aspecto das casas, os papiros falam-nos detalhadamente dos tormentos porque passava um egípcio de terceira classe para conseguir alugar (...) três assoalhadas no sexto esquerdo, sem elevador nem luz na escada. Quando adregava de encontrar uma dessas raras construções (...) com a curiosa designação de rendas limitadas (!) tinham que satisfazer as ilimitadas exigências do senhorio (...) Depois (...)
O profe apresentou a brasa. Era editora numa das grandes casas editoriais de Nova Iorque.  - Oh, que coisinha doce - disse ele, aproximou-se e apertou-lhe a coxa direita. - Amo-te.  - És rápido - disse ela.  - Bem, sabes que os escritores têm sempre de beijar o cu dos editores.  - Pensava que era o contrário- - Não é. Quem passa fome é o escritor.    Charles Bukowski in Grita Quando Te Queimares - Música para Água Ardente (1983) Antígona (2015)
21 Fev, 2018

alma com rendas

Não se consegue viver da alma. Não se pode pagar renda com a alma.      Charles Bukowski in Grita Quando Te Queimares - Música para Água Ardente (1983) Antígona (2015)      
O seu trabalho começava a incomodá-lo. Seis anos passados e nem um tostão no banco. É assim que nos agarram - dão-nos o suficiente para nos mantermos vivos, mas nunca nos dão o suficiente para podermos escapar de vez.      Charles Bukowski in O Homem Que Adorava Elevadores - Música para Água Ardente (1983) Antígona (2015)