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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

25
Nov20

pão e água eternos

Não tenho a pretensão de entender os fingimentos dos cavalheiros [...]

- Nós não fingimos, Roz. Somos honrados e cívicos em todas as ocasiões. Somos cavalheiros.

Eram um bando de hipócritas, que afirmavam honrar as mulheres mas passavam metade da noite com prostitutas, que censuravam a morte de algum limpa-chaminés nos seus clubes - os limpa-chaminés encontravam constantemente mortes horríveis, tantas eram as chaminés de Londres - mas não faziam nada para alterar as leis que afetavam os pobres desgraçados. 

 

Grace Burrowes – Coração Ardente (2017)

Quinta Essência (2019)

 

 

24
Nov20

cadáveres há muitos

Em França, a editora Gallimard publica, em 2015, o romance Le Consul, escrito por um romancista de origem argelina, Salim Bachi, que faz uma análise muito fina da psicologia de Aristides. Salim Bachi, laureado com o prémio Goncourt - primeiro romance, cita São Francisco de Assis, antes do primeiro capítulo: «O homem obediente é como um cadáver que se deixa colocar, sem protestar, onde os outros quiserem.» 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

19
Nov20

evidências

O António detestava pessoas presumidas. Então, brincávamos com as situações e analisávamos coisas que, para um psicólogo, seriam muito interessantes. Por exemplo, certas atitudes, logo de manhã, que evidenciavam por parte de algumas das nossas clientes uma óbvia falta de relações sexuais ou uma grande frustração nesse campo. De que outra forma se podia explicar o comportamento daquela mulher mal-disposta, pronta a explodir, como se tivesse vontade de bater no cabeleireiro? 

 

Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)

Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)

 

 

 

02
Nov20

felizcidades,felissidades,felis-há-des,...,.(II)

 

Criminalizar quem faz a travessia é a punição. Na Europa em 2020, culpabilizamos quem é refugiado e esta é a maneira como o fazemos.

Esta também é uma mensagem que é intencionalmente passada para que mais pessoas não venham, para que passem a mensagem e a ideia de que as condições são tão más que ninguém queira vir. Há pessoas a suicidar-se no campo diariamante.

Se as sujeitarmos a condições que as façam prefir morrer nas bombas da Síria, pelos talibã no Afeganistão ou na travessia, se as desumanizarmos ao ponto de quererem morrer, certamente que os contactos que têm na Turquia ou nos países de origem serão persuadidos a não vir – é uma tática consciente e política.

 

in https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/artigos/entre-a-pandemia-e-a-crise-humanitaria-medica-portuguesa-em-lesbos-relata-desumanizacao-e-avisa-isto-esta-a-ser-feito-com-o-consentimento-de-todos

 

23
Out20

convenções, proteções, regimes e estímulos

Em momentos críticos, a ajuda dos irmãos César e José Paulo, e de primos direitos como Silvério e outros foi essencial para lhe dar algum ânimo e esperança nos últimos 14 anos de vida. A maior parte dos primos direitos vinha do lado Amaral e Abranches que, diga-se em abono da verdade, no verão de 1940 não o aplaudiram exatamente. Esses primos tinham carreiras e famílias a proteger, e estavam bem conscientes da verdadeira natureza do Estado Novo, sabiam que podiam ser atingidos por ricochete devido ao gesto rebelde do primo Aristides - que se tornaria um proscrito e uma espécie de refugiado no seu próprio país. 

Um primo de Aristides, Adolfo Abranches Pinto, que foi general e ministro do exército durante quatro anos, entre 1950 e 1954, que exerceu funções de adido militar em Washington D.C. [...] foi chamado a participar em visitas de comissões internacionais aos campos de concentração, tendo de efetuar relatórios descrevendo o horror que aí viu e a vergonha que são para a espécie humana. Um dia, o primo Adolfo disse para a sua família mais próxima: «Compreendo a posição e a atitude do Aristides durante a guerra. Ele prestou um grande serviço à Humanidade!»

Dizer estas palavras é revelador de bons sentimentos, mas teria sido muito mais benéfico e corajoso da parte de um general - um homem de armas - dizê-lo diretamente a Aristides e a César. Mas a verdade é que o regime ditatorial de Salazar não existia propriamente para estimular a coerência e a dignidade. E as paredes tinham ouvidos... 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

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21
Out20

(covid, oms, gds, ordem dos médicos, app) entretanto, no mundo...

Petition for President Buhari to be charged before the ICC for crimes against humanity.

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Soldiers shot at Nigerians protesting against police brutality, Amnesty International says

 

Quisiera de mi mente se borrara

aquello que pasado no se olvida:

El odio del hombre que por vida

con sangre de inocentes se gozara. 

[...]

en entraña de gente enloquecida,

la suma de los muertos que ganara. 

 

 

Antonio Portero Soro – Signo de vida (1999)

J.A. Ferrer-Sama y J. Ramírez, Editores Asociados (1999)

 

 

14
Out20

a(s) verdadeira(s) mudança(s) envolvendo milhões

(e estúdios eco, já agora)

não quero navegar num mar fácil de palavras 

 

António Ramos Rosa in O PAPEL, A MESA, O SOL, A PENA... - Obra Poética I

Assírio & Alvim (2018)

 

 

09
Out20

loucura sadia

[..] O procedimento do Sr. Aristides de S. Mendes implicara tal desvairamento que ao comunicar logo em seguida às autoridades espanholas a decisão de dar por nulos os vistos concedidos pelo consulado em Bordéus a numerosíssimas pessoas que ainda se encontravam em França, não tive dúvida em declarar que era minha convicção que o referido cônsul havia perdido o uso da razão. A bem da nação.»

Neste aceso encontro entre Teotónio Pereira e Aristides houve troca de palavras desagradáveis. A determinada altura, Teotónio Pereira declara que Aristides deve ter enlouquecido, ao que este lhe responde: «Mas será preciso ser-se louco para fazer o que está certo?» 

 

António Moncada S. Mendes – Aristides de Sousa Mendes, Memórias de Um Neto
Edições Saída de Emergência e António Moncada S. Mendes  (2017)

 

 

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