Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

25.06.19

Decreto-lei 164/2006 de 9 de Agosto


Cecília

Portugal, por razões históricas e políticas, nunca conseguiu instalar na cidade de Lisboa um museu de arte moderna e contemporânea com forte acervo internacional, amplamente integrado nos circuitos internacionais de arte.

(...)

O protocolo celebrado entre o Estado, através do Ministério da Cultura, a Fundação Centro Cultural de Belém, a Associação Colecção Berardo e o coleccionador José Manuel Rodrigues Berardo vem permitir não só que a Colecção Berardo seja colocada à disposição da população portuguesa mas também que seja viabilizada a instalação de um museu de arte moderna e contemporânea a partir de um acervo que hoje se encontra integrado no património do coleccionador.

Pelo referido protocolo as partes outorgantes afirmaram o compromisso de constituir a Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Colecção Berardo, que terá como incumbência a criação, gestão e organização do Museu Colecção Berardo de Arte Moderna e Contemporânea, a instalar no Centro Cultural de Belém. Trata-se de uma parceria público-privada que alia a vontade do Estado na criação de um museu de arte moderna e contemporânea com o espírito empreendedor do coleccionador.

(...)

Artigo 30.º

Dissolução da Fundação

1 - Em caso de impossibilidade, por qualquer razão, de obtenção dos objectivos para que foi constituída, a Fundação dissolve-se nos termos legais, constituindo-se o conselho de administração em comissão liquidatária.

2 - Extinta a Fundação, o respectivo património será partilhado nos seguintes termos:

a) O direito de usufruto do centro de exposições do Centro Cultural de Belém extingue-se, reassumindo a Fundação do Centro Cultural de Belém a sua posse plena e gestão;

b) O comodato extingue-se, reassumindo a Associação Colecção Berardo a posse plena e gestão da Colecção Berardo, caso a essa data o Estado não tenha exercido a opção de compra;

c) Caso já tenha exercido a opção, o património reverte a favor do Estado, que se obriga a integrar em projecto museológico já constituído ou a constituir preservando a memória da Colecção Berardo;

d) Todo o restante património, nomeadamente as obras adquiridas através do fundo de aquisições ou por doações ou legados, reverte a favor do Estado, sem prejuízo do disposto na parte final da alínea c) anterior.

3 - As obras de arte compradas com recurso ao fundo de aquisições podem ser adquiridas por José Manuel Rodrigues Berardo ou por quem ele venha a indicar, pelo respectivo preço de aquisição, sendo deduzida a parte do preço que constituiu a sua participação.

 

Museu Coleção Berardo

Inaugurado em 25 de Junho de 2007

 

 

 

06.06.19

Operação Neptuno


Cecília

share.jpghttps://www.army.mil/d-day/

At the core, the American citizen soldiers knew the difference between right and wrong, and they didn't want to live in a world in which wrong prevailed. So they fought, and won, and we all of us, living and yet to be born, must be forever profoundly grateful.


Stephen Ambrose

 

I'm very disappointed, and I hate leaving the world feeling this way.

 

Pvt. Jack Port, now 97, on the state of the world currently

 

 

phpThumb.jpg

Ao desembarque e a todos os movimento associados foi dado o nome de código de Operação Neptuno. O objetivo de estabelecer uma testa de ponte que desse acesso ao noroeste francês. A operação tinha sido pensada para o dia anterior mas devido ao mau tempo foi adiado para 6 de junho.

Ao todo, 83 115 soldados ingleses e canadianos, mais 73 000 do exército americano desembarcaram na costa da Normandia num espaço de 80 quilómetros das praias ao qual deram nomes de código de Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword (...) 

Entre as cinco praias, Utah foi onde se registaram menos baixas: 197 homens foram foram mortos ou feridos. 

Omaha foi onde se sofreu mais baixas, 2 400 soldados norte-americanos foram mortos.

in https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dia-d-as-imagens-os-mapas-e-os-numeros-do-desembarque-na-normandia_es1152387

 

 

 

30.05.19

O Banqueiro Anarquista


Cecília

Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo.

Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miseravelmente os mesmos disciplinados que éramos.

Trabalhemos ao menos – nós, os novos – por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos, em nós próprios, a desintegração mental como uma flor de preço. Construamos uma anarquia portuguesa.

 

Fernando Pessoa

 

 

in https://antigona.pt/collections/5-euros/products/o-banqueiro-anarquista

29.05.19

acertar ponteiros


Cecília

O abade boceja. E, à porta, tem de gramar explicações sobre a grande precisão do relógio novo. É inglês - esclarece o pároco de São Pedro, esticando o pescoço para o campanário a invocar essa virtude definitiva. Os franceses que não suspeitem, que ainda lhe escangalham a traquitana por ser inimiga - goza o abade, enfastiado. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

Caricature_gillray_plumpudding.jpg

 

16.05.19

a proteção de quem manda


Cecília

«Meu amo manda-me para vos proteger. Eu vos protegerei», lê dom António essa primeira declaração solene do general Junot. Sorri, irónico, pensando que a protecção de quem manda conta sempre mais com a acomodação dos protegidos que com a certeza de poder protegê-los. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

10.05.19

muita coisa vai e outra tanta que não fica


Cecília

O criado, de libré, calção de baeta e meia branca, vem anunciar que está lá fora o Raimundo, aprendiz do Convento. Dona Beatriz poisa o bastidor. Que o mande entrar para o vestíbulo. Quem é? - pergunta dom António, atrás da Gazeta de Lisboa de há três dias. O Raimundo da Anunciação, um rapaz de muito talento, ajudante de mestre Cyrillo, que nos pintou aquele fresco no coro da capela, vai para dois anos. 

Raimundo da Anunciação compôs quanto pôde o fato coçado, limpou da lama os sapatos cambados e as solas rotas vê-las-ia o chão se tivesse olhos. Dobra a magreza numa vénia angulosa e, com perdões pelo incómodo, atira-se à descrição das misérias, as suas e as dos outros três ajudantes da escola de artes que, aliás, já se preparam para abalar. Suas majestades partiram, como Vossa Excelência sabe, e deixaram por pagar mestres e ajudantes. Bem, os mestres foram para Lisboa, onde há sempre quem lhes encomende um retábulo, um retrato, seja quem for que por lá mande. Mas nós, minha senhora, estamos à esmola de uma sopa e temos à nossa guarda coisas preciosas, enfim, obras acabadas ou começadas por mestre Cyrillo, do Taborda, do Calisto, do Piolti, do Sequeira, do Machado de Castro, até uma escultura de mestre Giusti das últimas que fez antes de cegar (...) Muita coisa vai na carga dos barcos para o Brasil - acrescenta. - Até aqueles seis quadros sobre a conquista da Índia, mas não puderam levar tudo. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

08.05.19

lx 1808


Cecília

O INTENDENTE GERAL

DA POLICIA

DO REINO DE PORTUGAL

Considerando o perigo que póde 

seguir-se da multidão de Cães

vagabundos, que girão pelas

ruas de Lisboa no tempo

dos grandes calores;

 

Considerando outrosim nos des-

agradaveis acontecimentos, que

dahi muitas vezes resultão, prin-

cipalmente de noite; e que os

seus ladros, ao mesmo tempo

que perturbão o socego dos Ha-

bitantes, advertem os Roubado-

res do seguimento da justiça,

ORDENA O QUE SE SEGUE:

(...)

VII. As cautélas prescriptas

para fornecer, nos tempos camo-

sos, agua aos Cães, para os pre-

servar da Hydrophobia, são ago-

ra renovadas, e confirmadas de-

baixo das penas existentes contra

os transgressores.

VIII. Os Regulamentos, que

prohibem conduzir Vacas e Ca-

bras pelas Ruas de Lisboa depois

das onze horas do dia, para se

mugirem ás portas das Casas, são 

igualmente renovados com as Mul-

tas, e Penas nelles mencionadas. 

IX. He igualmente prohibido

que se deixem vagar pelas Ruas,

e encruzilhadas Bois, Vacas, e 

Cabras sem Campainha, sob pena

de serem tomadas, e confiscadas

em beneficio dos Hospitaes. Aque-

les, que nestes casos as apanha-

rem, conduzillas-hão imediata-

mente ao Palacio da Intendencia

Geral da Policia do Reino (no

Rocío), onde receberão, se ti-

ver lugar, huma recompensa, ti-

rada do producto da venda. 

(...)

Lisboa, nove de Abril de 1808 

O INTENDENTE GERAL 

da Policia de Lisboa e do Reino de Portugal,

P. LAGARDE.

Dona Beatriz reponta contra a crueldade dos franceses. Dom António admite, sem o dizer, que Lisboa é uma estrumeira. E Henrique considera que os franceses não têm legitimidade para lhes darem ordens nenhumas. Talvez estejam os três cheios de razão. 

 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

07.05.19

couraças


Cecília

Porque os russos irão chegar. O solo treme noite e dia debaixo dos nossos pés; no silêncio vazio da Buna o ruído baixo e surdo das artilharias ecoa agora ininterruptamente. Respira-se um ar tenso, um ar de solução final. Os polacos deixaram de trabalhar, os franceses voltaram a andar de cabeça erguida. Os ingleses piscam-nos o olho e cumprimentam-nos às escondidas com o «V» do indicador e do médio; e nem sempre às escondidas.

Mas os alemães são surdos e cegos, fechados numa couraça de obstinação e de desconhecimento deliberado. Mais uma vez marcaram a data do início da produção da borracha sintética: será a 1 de Fevereiro de 1945. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

18.04.19

lei feroz na história e na vida


Cecília

Na história e na vida parece às vezes vislumbrar-se uma lei feroz, segundo a qual «dar-se-á a quem tiver; tirar-se-á a quem não tiver». No Lager, onde o homem está só e a luta pela vida se reduz ao seu mecanismo primordial, a lei iníqua está abertamente em vigor, é reconhecida por todos. Com os aptos, com os indivíduos fortes e astutos, os próprios chefes gostam de manter contactos, que chegam a ser de quase camaradagem, pois esperam poder tirar, talvez mais tarde, algum proveito. Mas (...) aos homens em fase de degradação, não vale a pena dirigir a palavra, pois já se sabe que começariam a queixar-se e a contar o que costumavam comer em casa. Muito menos vale a pena ser-se amigo deles, pois não têm conhecimentos importantes no campo, não comem nada extra-ração, não trabalham em Kommandos vantajosos e não conhecem nenhuma forma secreta de organização. E, finalmente, sabe-se que estão aqui de passagem e dentro de poucas semanas deles ficará apenas um punhado de cinzas num campo não muito longe daqui, e um número de matrícula riscado num livro de registo. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D