orgulhoso
Ninguém separa já a palavra dos meus dedos.
A presença é o esquecimento no seio do abandono.
António Ramos Rosa in A COISA SEM NOME - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
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anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.
anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.
Ninguém separa já a palavra dos meus dedos.
A presença é o esquecimento no seio do abandono.
António Ramos Rosa in A COISA SEM NOME - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
Mais para ler
e da figura frágil que eu amo, o seu espaço
que ignoro, o seu quarto intacto, o seu odor de rapariga.
[...]
Eu desejo as palavras das suas fibras, a saliva da sua língua.
Desejaria habitar o seu caminho, bater à sua porta.
António Ramos Rosa in FALO DE UM DESIQUILÍBRIO - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
Mais para ler


O último símbolo que quero destacar é o rosário ou as contas. [...] O rosário cristão se confunde com as contas do “Òpelè-Ifá” ou “Rosário de Ifá”, que é um instrumento divinatório dos tradicionais sacerdotes de Ifá (Ifá é o porta-voz de Orumilá e de outros Orixás). Vale lembrar que o culto dos negros a Nossa Senhora do Rosário, se deve também ao paralelismo estabelecido entre o rosário desta Nossa Senhora e o Rosário de Ifá, obviamente já conhecido por muitos negros. Por isso, sempre insisto que o culto dos negros a
Nossa Senhora do Rosário é ao mesmo tempo adaptação e resistência [...]
E termino com a saudação aos pretos velhos proferida na maioria dos terreiros de
Umbanda [...] e que demostra a multiplicidade do culto e suas referências: “Salve Jesus
Cristo e Nossa Senhora... Salve os Orixás... Saravá o Preto Velho... Adorei as almas”.
in http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364730161_ARQUIVO_Adoreiasalmas-XXVIISNH-textocompleto.pdf
Mais para ler
O sol é uma noite suave
[...]
Reconheço um caminho entre dois reinos.
[...]
Ser sem qualidades,
consciência sem palavras.
Paciência na cor e na pedra
do ser. O esplendor dos sulcos brancos.
Abóbada de ausência, círculo do universo.
O que permanece ondula entre o verde e o vento.
António Ramos Rosa in MEDIADORA DA AUSÊNCIA - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
Mais para ler
- Falando por mim, só começo a gostar do Variações através da sucessiva passagem das maquetes que tínhamos feito com ele. Só começo a gostar, quando se cria uma familiaridade com aquele som e com aquele timbre. Porque a primeira reação é...overdose. Depois, e se há uma palavra que pode definir bem o Variações é uniqueness. Isto é, há uma singularidade nele que acaba por conquistar inevitavelmente o seu terreno, e acaba por conquistar as pessoas. Como conquistou - diz Rui Pêgo.
Manuela Gonzaga – António Variações, Entre Braga e Nova Iorque (2018)
Manuela Gonzaga e Bertrand Editora (2018)
Mais para ler
Nada a dizer no entanto Quem sobe à fogueira
quem foi para o deserto? Não há palavras mais
António Ramos Rosa in A IMPONDERÁVEL ABORDAGEM - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
Aunque tu, me has echado en el abandono
Aunque tu, has muerto todas mis ilusiones
Y en vez, de maldecirte con gusto en coro
En mis sueños te colmo, en mis sueños te colmo
De bendiciones
Sufro la inmensa pena de tu extravío
Siento el dolor profundo de tu partida
Y lloro sin que sepas que el llanto mio
Tiene lagrimas negras, tiene lagrimas negras
Como mi vida
Tu me quieres dejar, yo no quiero sufrir
Contigo me voy mi santa aunque me cueste morir
Un jardinero de amor, siembra una flor y se va
Otro viene la cultiva, de cual de los dos sera
Amada prenda querida, no puedo vivir sin verte
Porque mi fin es quererte y amarte toda la vida
Yo te lo digo mi amor, te lo repito otra vez
Contigo me voy mi santa porque contigo moriré
Yo te lo digo mi amor, que contigo moriré
Contigo me voy mi santa te lo repito otra vez
Lagrimas Negras
Omara Portuondo
Mais para ler
essa paixão árida que não canta
mas vibra seca no papel incerta
Quem detém os olhos? Quem vê o curso
do vento nas palavras?
E as flechas que por vezes se desfazem?
[...]
Tudo o que o poema faz desfaz
Mas sustenta a ferida
nas margens mais distantes
da distância
na insensata esperança
no abismo
Tu beijas aqui a dança e o desastre
António Ramos Rosa in O INCERTO EXACTO - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
Mais para ler
Catarina
é a palavra viva
que ninguém fuzila
António Ramos Rosa in CATARINA PALAVRA VIVA - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
Mais para ler
Se não houvesse o cansaço
das pedras
que não são pedras
que são apenas cansaço sem nenhuma pedra
[...]
Farei o que puder
com a palavra pedra
quer tenha a pedra ou não
[...]
Saio do buraco
vou ao teu encontro
com a minha pedra
É uma pedra mesmo?
Inventada ou não
inventada e não
é a minha pedra
e por isso dou-ta
com o calor da mão
[...]
A pedra que encontrei
quando ta quis dar
quando te encontrei
António Ramos Rosa in A MINHA PEDRA PARA JOSÉ GOMES FERREIRA - Obra Poética I
Assírio & Alvim (2018)
Mais para ler
Ele já com a marca da queimadura, a gritar [...] O Gonçalo vem na minha direcção e eu pergunto-lhe: " Ó Gonçalo, o que é que vos aconteceu?" Ele olha para mim e aquele olhar disse-me tudo. Não me deu uma palavra, mas o olhar disse-me tudo. Não me deu uma palavra, mas o olhar disse-me tudo. Corro para a ambulância e é onde o vejo a ele, todo encharcadinho de água. A cara dele era uma bolha só. Uma coisa horrível. Estava deitado sobre o lado esquerdo, com as mãos traçadas e a pele toda pendurada. Foi daqueles momentos que nos passa a vida em flash [...]
Ajoelhada junto ao marido, ele pede-lhe que olhe por um irmão, deficiente, que vive com a família. «Ele disse-me, muito baixinho: "Olha pelo Chico, que eu não volto mais a casa."
Patrícia Carvalho – Ainda aqui estou (2018)
Fundação Francisco Manuel dos Santos e Patrícia Carvalho (2018)
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