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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

27
Abr18

27.11.5 (FIM)

Eu sentei-me num cadeirão à frente dela. Ela bebeu uma cerveja e contou-me o que se passava: « Eu amo-o, sabes, mas não consigo qualquer contacto, ele não fala. Eu digo-lhe fala comigo! Mas, por Deus, ele não fala. Ele diz: " Não és tu, é outra coisa." E é o fim da conversa.»

 

Charles Bukowski in Não Foi Bem Bernadette - Música para Água Ardente (1983)

Antígona (2015)

 

 

 

30
Jan18

se não sim

no outono consentiu um beijo, uma desilusão mole e húmida que lhe deu ímpetos de apagar no cotovelo, o meu pai feliz

- Não foi bom?

e ela com vontade que ele morresse ou ela morresse (...) à medida que uma voz dentro de si 

- Têm paciência senão ficas sozinha 

e o pavor de ficar sozinha depois da morte dos pais 

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

 

 

25
Nov17

pelos dias fora

passavam-lhe os azeites e trancava-se no quarto a chorar 

- A minha maior asneira foi o casamento contigo

o meu pai umas palmadinhas amigas 

- Apesar de tudo não temos sido infelizes 

e se calhar não eram ou eram mas não mais que os restantes, quem é feliz neste mundo, falta sempre algo não é, saúde, dinheiro, mas a vida continua a tropeçar mais ou menos pelos dias fora, empenada e contudo girando, o meu pai para a minha mãe

- Dá cá uma beijoca 

ela apesar de sobrazinhas de ciúme a estender a bochecha, nessa noite o crucifixo umas pancadas curtas mas pancadas mesmo assim e ambos melhor a seguir, o meu pai para a minha mãe 

- Atrevidota 

e a minha mãe corada a apontar-me o nariz e todavia no fundo contente, não muito no fundo, via-se cá de cima, eu para eles 

- Namoram outra vez 

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

 

 

14
Abr17

rechazos

El protagonista trabaja en una biblioteca que acepta todos los libros que han rechazado las editoriales. Se puede uno encontrar allí, por ejemplo, con un hombre que ha acudido a dejar un manuscrito tras haber padecido cientos de rechazos. Y de esa forma se van juntando ante los ojos del narrador libros de todo tipo. Se puede dar allí tanto con un ensayo como El cultivo de las flores a la luz de las velas en una habitación de hotel cuanto con un libro de cocina que recoge todas las recetas de los platos que aparecen en la obra de Dostoievski. Una gran ventaja de esta organización: es el autor quien elige el lugar que quiere en los estantes. Puede deambular entre las páginas de sus colegas malditos antes de localizar el sitio que le corresponde en esa forma de antiposteridad. En cambio, no se acepta ningún manuscrito que llegue por correo. Hay que ir en persona a dejar la obra que no ha querido nadie, como si esa acción simbolizara la voluntad postrera de abandonarla definitivamente. 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

08
Fev17

frustração

Acordar na manhã seguinte com gosto de corrimão de escada na boca: mais frustração que ressaca, desgosto generalizado que aspirina alguma cura.


Caio Fernando Abreu

(12 de setembro, 1948 — 25 de fevereiro, 1996)

 

 

 

 Don’t need a shrink but an exorcist

(...) 

Stop stop talking about who’s to blame
When all that counts is how to change

(...)

Who gave the leopards spots and taught the birds to sing

Born of frustration
Born of frustration

I’m living in the weirdest dream
Where nothing is the way it seems
Where no one’s who they need to be
Where nothing seems that real to me
How can we build our lives upon
No wall of stone, no solid ground
The world is spinning endlessly
We’re clinging to our own beliefs

 

Born Of Frustration - JAMES

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