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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

29.05.18

felicidade perpétua


Cecília

A satisfação de uma paixão absolutamente pessoal é embriaguez ou prazer: não é felicidade. 

A felicidade é algo duradouro e indestrutível; caso contrário, não seria felicidade. A queles que gostariam de perpetuar a embriaguez e de incluir nela a felicidade, andam atrás do impossível. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

 

 

 

23.02.18

mundo dentro


Cecília

Era un hombre con un gran sentido de la mesura, que se sentía a gusto con la idea de distanciarse del mundo para entenderlo 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

01.02.18

uma vez mais


Cecília

o fracasso é a origem do sucesso

 

Valter Hugo Mãe – Homens imprudentemente poéticos

Porto Editora (2016)

 

 

 

 Let's start over again
Why can't we start it over again
Just let us start it over again
And we'll be good
This time we'll get it, get it right
It's our last chance to forgive ourselves

 

 

24.01.18

surely something's gotta come to you


Cecília

A bolsa tinha subido 22 pontos nesse dia e os especialistas não conseguiam explicar porquê. Os especialistas eram muito melhores a explicar porque é que a bolsa caía. A desgraça deixava-os felizes (...) 

 

 

Charles Bukowski in Noite Fria - Música para Água Ardente (1983)
Antígona (2015)

 

 

 

09.01.18

sabrás


Cecília

Matsu nunca prometeria parar de chorar. Acalmara, mas sabia bem que a felicidade se compunha da soma de muita tristeza também. 

 

 

Valter Hugo Mãe – Homens imprudentemente poéticos

Porto Editora (2016)

 

 

 

 Sabrás que he cumplido firmemente,
Tú sabrás, mi promesa de quererte hasta el final,
Que he esperado tanto tiempo,
Y aún puedo más.
Sabrás que yo he sido la primera,
Tú sabrás, en escribirte una canción que te recuerde aquella vez,
En que mi cuerpo temblaba,
Porque tus manos en cada abrazo,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.
Y tus besos, a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.

Quizás no he encontrado la manera hoy,
Quizás de hacer de tripas corazón,
De conformarme con vivir anclada
A un sueño que amaba
Porque tus manos en cada abrazo,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.
Y tus besos, a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.

Quiero que comprendas que sin ti no tengo nada,
Que aposté toda mi vida, y que a lo hecho pecho,
Siento que te marches aunque nunca digas nada,
Aunque no tenga derecho a recibir mañana.
Puede que el futuro no me lleve hasta tu casa,
Pero sigo decidida a no ceder por hoy.
Si tus manos a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.
Y tus besos, a cada paso,
Me hicieron sentirme segura,
Siempre a salvo, a salvo.

02.01.18

sem impedimentos


Cecília

A criada Kame gritava: musumé, onde estás tu. E a jovem Matsu respondia: no teu coração. A criada voltava a gritar: e mais onde. Matsu respondia: ao sol. Estou aqui encostada ao sol. Era como se o sol se estendesse até tocar o corpo ao abandono da jovem. A criada juntava-se-lhe e culpava-se de parar os trabalhos por um instante. Por vezes, escolhiam a fome em troca de um mínimo de sossego. A felicidade podia acontecer num ínfimo instante, ainda que a fome se mantivesse e até a sentença para sofrer. O sofrimento nunca impediria alguém de ser feliz. 

 

 

Valter Hugo Mãe – Homens imprudentemente poéticos

Porto Editora (2016)

 

 

 

 Le semeur au soleil couchant

Vincent Van Gogh

 

 

25.11.17

pelos dias fora


Cecília

passavam-lhe os azeites e trancava-se no quarto a chorar 

- A minha maior asneira foi o casamento contigo

o meu pai umas palmadinhas amigas 

- Apesar de tudo não temos sido infelizes 

e se calhar não eram ou eram mas não mais que os restantes, quem é feliz neste mundo, falta sempre algo não é, saúde, dinheiro, mas a vida continua a tropeçar mais ou menos pelos dias fora, empenada e contudo girando, o meu pai para a minha mãe

- Dá cá uma beijoca 

ela apesar de sobrazinhas de ciúme a estender a bochecha, nessa noite o crucifixo umas pancadas curtas mas pancadas mesmo assim e ambos melhor a seguir, o meu pai para a minha mãe 

- Atrevidota 

e a minha mãe corada a apontar-me o nariz e todavia no fundo contente, não muito no fundo, via-se cá de cima, eu para eles 

- Namoram outra vez 

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

 

 

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