Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

25
Mar19

tocadas pela música

método de ensino da música criado pelo compositor e pedagogo húngaro Zoltán Kodály (1882-1967), o responsável por todas as crianças húngaras aprenderem música na escola desde o infantário até ao fim do liceu (antes da entrada do país na União Europeia em 2004, as aulas de música eram diárias em mais de uma centena de escolas). E fazem-no ainda hoje através do canto do cancioneiro de música erudita e música tradicional do seu país. Essa que Kodály recolheu com o seu amigo próximo, e também compositor, Béla Bartók (...)

de a educação musical ser para todos, e não para uma elite. O que me fez gostar imenso do sistema da Hungria foram frases como a de Kodály, em que ele diz que "só os melhores professores e só a melhor música deve ser dada às crianças" (...)

"Se quiser, tudo o que seja levar a música às crianças e tê-las envolvidas a fazer musica, pode ser Kodály. Mas também é Orff, Dalcroze, Willems [compositores e pedagogos]. Na maior parte das pedagogias os princípios são muito parecidos, depois há uma ou duas técnicas que variam, mas o que estas pessoas querem é que todas as crianças sejam tocadas pela música, e de uma forma que também desenvolvam capacidades individuais e sociais. É curioso porque a primeira tranche de pedagogos é quase da mesma idade. Têm as ideias do seu tempo. O que esta geração que sobreviveu às duas guerras queria era paz. Os escritos do Kodály e do Bártok falam imenso da fraternidade entre os povos" (...) E reforça: "Para acabar com estes ciclos de líderes da Coreia do Norte, ou dos Estados Unidos, ou de pessoas desvairadas que usam uma metralhadora e matam dezenas de pessoas. Acho que não aprenderam a gostar dos outros, e a ter um objetivo comum."

in https://www.dn.pt/artes/interior/kodaly-ensinar-musica-as-criancas-e-evitar-um-novo-kim-il-sung-8860801.html

 

 

Béla Bartók

( 25 de março, 1881 – 26 de setembro, 1945)

 

 

 

08
Ago18

foi a cerveja

Na mesa junto à janela virada para Poente, ensaia-se uma Última Ceia: a companhia de teatro arranjou doze apóstolos e um Cristo (...) De repente, a meio de uma dança, Borja caminha para a mesa onde se desenrola a Última Ceia e manda retirar o vinho, pois é um erro histórico. O Cristo está impávido, mas São João acha que não faz sentido e afasta o seu copo do alcance do professor, que começa a discursar:

- Ninguém sabe, caros Jesus Cristo e seus apóstolos, por que razão o homem se sedentarizou, já que está provado que ser nómada dá muito menos trabalho. Então porque sucedeu essa mudança radical? Muito simples, vou explicar-vos, queridos apóstolos e Nosso Senhor: foi a cerveja. Para ter cerveja era preciso cultivar. E assim nasceu a sociedade como a conhecemos. Graças à cerveja, temos hospitais e bibliotecas. Não existiriam livros se não fosse a cerveja. Não existiriam escritores nem ciência. Os nómadas não têm prisões nem conhecem o castigo, mas por outros lado não têm bibliotecas. Os nómadas não têm nada disto, porque andam de um lado para o outro e as prisões não podem ser transportadas, tal como as tipografias e os hospitais e as livrarias. E tudo isso se deve ao facto de alguns povos terem querido beber cerveja e, para isso, precisarem de se sedentarizar. No tempo de Cristo, no vosso tempo, andavam todos a beber cerveja. Na verdade, as bebidas alcoólicas confundiam-se entre si, pois era normal juntar frutos a bebidas de cereais e cereais a bebidas de frutos. Mas o que é certo é que o Egipto tinha inúmeras cervejeiras e exportava grandes quantidades para a Palestina. O que se bebia no espaço geográfico em que Cristo habitava era cerveja. O vinho era uma bebida de romanos, dos invasores. Cristo não iria beber a bebida dos ricos, dos opressores (...) mas a dos pobres, das putas e dos pecadores. Isso é que era a cerveja, um símbolo do povo. Jesus Cristo bebia cerveja, que sempre foi chamada de pão líquido, pois é verdadeiramente pão com água. 

 

 

Afonso Cruz - Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012)

Penguin Random House (2016)

 

 

 

 

27
Jun18

assados

Descoberto o fogo, inventaram os assados mas arranjaram também lenha para se queimarem pois logo apareceu quem inventasse o inferno, o castigo, o pecado (67) e outras coisas que tais, acabando-se de uma vez para sempre a paz entre os homens. 

 

(67) Onde as criaturas se afundaram com regalo e para todo o sempre. 

 

 

Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965)
Edição Completa, Integral e Nunca Censurada dos Três Volumes Originais Pré-História / O Egipto / Os Judeus

Herdeiros de José Vilhena / SPA 2015, E-Primatur (2016)

 

 

Os Sete Pecados Mortais e os Quatro Novíssimos do Homem (1500)

Hieronymus Bosch

(As quatro últimas etapas do homem são a morte, o juízo final, o paraíso e o inferno).

 

 

 

20
Jun18

primitivos privilégios

Além deste privilégio o homem usufruia outros: Como não tinha sido ainda inventada a escrita, não lia discursos políticos nem cartazes de propaganda eleitoral, nem tabuletas que dizem «Proíbido», nem letreiros que dizem «Reservado», nem etiquetas que dizem «Ocupado» nem cartazes que dizem «Propriedade particular». Evitava também por completo a chatice dos empregos. Como a rádio era totalmente desconhecida jamais escutou um anúncio do Tide ou uma «nota do dia» da Emissora Nacional. Da televisão nem sequer se falava e portanto a sua inteligência não estava atrofiada mas, pelo contrário aberta para as descobertas e para as conquistas do espírito. 

 

 

Vilhena – História Universal da Pulhice Humana (1960/1961/1965)
Edição Completa, Integral e Nunca Censurada dos Três Volumes Originais Pré-História / O Egipto / Os Judeus

Herdeiros de José Vilhena / SPA 2015, E-Primatur (2016)

 

 

 

 

23
Mai18

a culpa é do governo

"Está um tempo insuportável! Como é que o governo não trata disto?" (...) resmungou o lobo. "Estou a dizer-lhes que a culpa é do Governo, e se não acreditam em mim, devoro-os a todos já!"

 

 

 

Oscar Wilde – O Menino-Estrela (1891)
Ilustração: Luís Henriques

Oficina dos Sonhos - Clássicos - Porto Editora (2008)

 

 

 

 

 

 

 

 

17
Mai18

da importância da educação / ensino

a educação privada é intolerável nas famílias degeneradas, entregues a maus hábitos e imbuídas de maus princípios. Mais vale o abominável regime do colégio. 

No seio das famílias honestas e tranquilas, porém, deveria ser um dever ficar com a guarda das crianças e não as obrigar a aprender os factos da vida num colégio onde a igualdade só existe à lei da pancada, onde a disciplina é embrutecedora, onde a autoridade é brutal, pueril e tacanha - já para não mencionar os vícios que proliferam em todas as instituições do género. Hoje em dia, contudo, parece que a educação moral já não é necessária ao homem; parece que todos preferem refugiar a vida na inteligência e virar as costas ao coração. No que respeita às crianças inteligentes, tudo o que o que o colégio consegue desenvolver é o orgulho e o amor-próprio. Já as crianças não-inteligentes, essas ficam-se pelos instintos vis e grosseiros. Em todas, mesmo nas naturezas mais naturalmente generosas que essa detestável educação não consegue corromper por completo, é a vaidade que se sobrepõe a tudo o resto (...) 

A melhor educação possível passaria por uma soma perfeitamente combinada de conhecimentos (...) pelo verdadeiro progresso do coração: a intensa estimulação dos sentimentos (...) do sentido de justiça, de elevação moral, de gratidão, de boa-fé, de dedicação. Um tipo de ensino dotado de poder persuasivo (...) pois, se não bastar a palavra, resta-nos o exemplo. O homem mais modesto, a mulher menos culta, qualquer pai ou mãe poderá oferecê-lo ao seu filho (...) 

Necessário seria, sobretudo, conhecer o carácter de uma criança, fazer com que também se conhecesse a si mesma, e tão profundamente que se sentisse forçada a reconhecer a verdade pelo menos para si própria; chamar a atenção dela para os seus defeitos, fazer-lhe notar os insucessos e as vitórias, encorajar a sua progressão no caminho do bem. Se a criança for ávida de ciência, devemos tentar refreá-la, mostrar-lhe que a inteligência de nada serve sem a bondade, sem a virtude, sem o amor. No caso de se revelar indolente mas doce e afectuosa, é necessário que compreenda que se deve instruir e cultivar por amor àqueles que a educam, e transformar o desenvolvimento da sua inteligência num sacrifício, num acto de completa dedicação (...) há que habituar as crianças a explicarem com arrojo aquilo que conhecem bem e desvalorizar-lhes o pretensiosismo quando falam do que não conhecem de todo, ou do que conhecem mal. Fazer por ridicularizar, sem compaixão, a sua apetência pelo poder. Ridicularizar igualmente os seus apáticos desalentos, pretexto para a indolência (...) O afecto do apreço, da confiança, do discernimento, que fará com que os apuremos segundo o seu mérito, e que os tratemos como o fardo ou o sustentáculo da família, conforme a fraqueza ou a força demonstradas, a dedicação ou o egoísmo (...) O dos colegas, que tendem a arrancar dos outros uma vã honra pública alardeando uma aclamação visível, é o sentimento mais daninho e perverso que podemos fazer eclodir no homem. A criança que triunfa graças à derrota dos seus colegas, e que se alegra em ser coroada em público com mais um louro no alto da cabeça, não passará de um poeta despeitado, um artista invejoso e fingido, um deputado entufado de tola popularidade, um empregado cheio de nula importância, um falso legitimista, um falso doutrinário, um cidadão sem espírito de fraternidade, devoto à pátria apenas devido às recompensas que dela obterá, um orador mais interessado em bem falar do que em demonstrar o bom princípio, um agricultor mais preocupado em alinhar as árvores e em fazer gala de uma manada ostentosa do que em melhorar as suas terras e naturalizar as espécies verdadeiramente adequadas aos seus terrenos, ou seja, um homem desprovido de consciência, de bondade, de genuíno pundonor, cuja utilidade reverte, quando muito, apenas para si mesmo, inútil aonde quer que vá, prejudicial ao bem alheio, e infeliz, caso a sua vaidade não seja satisfeita por um êxito proporcional à sua ambição, ou, caso o seja, perverso, despótico, injusto. 

 

 

George Sand – Diário Íntimo

Antígona (2004)

 

 

28
Abr17

dinheiro & filhos

Jackie Chan disse que irá deixar metade da sua fortuna para solidariedade. A outra metade, no entanto, não será inteiramente para os filhos, Jaycee Chan e Etta Ng Chok Lam. "Se eles forem capazes, vão saber ganhar o próprio dinheiro. Se não forem, estarão apenas a desperdiçar o meu", justificou.

(citação retirada de um mag qualquer perto de si)

 

 

 

(...)

Não me amarra dinheiro não
Mas elegância
Não me amarra dinheiro não
Mas a cultura
Dinheiro não

(...)

Não me amarra dinheiro não
Mas os mistérios

 

 

04
Out16

Gracias

Es muy antigua costumbre andar pidiendo perdón después que hacen de las suyas.

 

 

 

 Violeta Parra    

(4 de outubro, 1917 - 5 de fevereiro, 1967)    

 

 

 

 

 

 

 

 

Toda censura es peligrosa porque detiene el desarrollo cultural de un pueblo.

 

                                                                                          

                                                                                                                                Mercedes Sosa 

               ( 9 de julho, 1935 — 4 de outubro, 2009)  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub