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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

soluções automotivas


Cecília

27.10.16

 

" Os operários portugueses foram recebidos à porta da fábrica da Dura Automotive, que produz componentes eletrónicos para automóveis, na cidade de Plettenberg, por colegas alemães munidos de cartazes, panfletos em português e um tradutor oficial.

Os folhetos explicavam que entre 850 a 900 trabalhadores alemães da fábrica de Plettenberg serão despedidos, segundo disse à agência Lusa Fabian Ferber, representante local do maior sindicato da indústria metalúrgica na Alemanha, o Industriegewerkschaft Metall.

“Há cerca de 11 meses a sede [da multinacional], nos Estados Unidos, anunciou o despedimento de cerca de 850 a 900 pessoas, de um total de 1300″, da fábrica de Plettenberg, explicou Fabian Ferber, acrescentando que até hoje os trabalhadores alemães estão à espera de informação sobre compensações sociais e reformas antecipadas.

Não estamos contra os trabalhadores portugueses, eles não são nossos inimigos. A Dura é que é a nossa inimiga. Nós estamos a lutar pelos nossos empregos”, garantiu. (...) 

“A Dura queria que fizéssemos horas extra para terminar uma encomenda. A empresa tem de gerir as encomendas durante as horas de serviço normais, por isso, a comissão de trabalhadores tem direito a recusar o pedido de horas extra. Foi o que fizemos e, então, trouxeram os trabalhadores portugueses”, afirmou.

O sindicato recorreu aos tribunais que, inicialmente, deram razão aos trabalhadores alemães, mas a empresa apresentou um novo plano de trabalho aos juízes e conseguiu garantir a permanência dos operários portugueses na Alemanha.

O plano da empresa diz que durante a semana a fábrica pertence à Dura Alemanha, ao passo que aos fins de semana a fábrica passa a ser Dura Portugal. A fábrica troca de mãos por dois dias, algo completamente novo”, segundo Ferber." 

 

 

in http://24.sapo.pt/economia/artigos/operarios-portugueses-recebidos-com-protesto-de-colegas-locais-em-fabrica-na-alemanha

 

 

 

Alexandra Alpha


Cecília

26.10.16

José Augusto Neves Cardoso Pires

( 2 de Outubro, 1925 —  26 de Outubro, 1998)

 

" Se o cabo mecânico, às 08.00 da manhã, estivesse no hangar como lhe determinava a escala, por certo tería caído das nuvens ao ver chegar o engenheiro Miguel que horas antes teria passado por ele encoberto com as brumas. Veria que não trazia luvas nem saco plástico nenhum e que vinha acompanhado de duas senhoras. E acharia estranho, evidentemente. E indagaria. E talvez tivesse evitado o pior. Mas sempre que toca a desgraça o Diabo sabe tecer os enredos com agulha fina e Deus faz de distraído ou como se. E o facto é que, minutos antes de o engenheiro entrar no hangar, o cabo fora chamado ao gabinete de controle por motivos de serviço e foi um assistente de pista que o recebeu e ajudou a atrelar o cartaz ao aparelho.

Chamado agora a perguntas, o referido substituto pouco podia esclarecer. Desde o hangar até ao momento da descolagem também notou que havia certa ausência entre as duas senhoras, diria mesmo que certa animosidade. Teve consciência disso mas, era como o outro, os humores de cada um não lhe interessavam nem deixavam de interessar. Tudo o que podia assegurar é que estavam as duas muito silenciosas naquela manhã prateada ao tomarem os seus lugares para a sua última viagem: Alexandra à frente ao lado dos comandos, Maria no assento da retaguarda, com o pescoço por cima do ombro dela para ver melhor a paisagem.

 

Sobrevoaram em asa de brinquedo rectângulos verdes, campanários, comboios alegres em trilhos reluzentes. Traziam no rastro uma mensagem a singrar no azul e levavam por companhia um coração assassino que não parava de pulsar: tiquetaque, tiquetaque, tiquetaque...

Por um destes pressentimentos que só a morte sabe despertar, Maria procurou a mão de Alexandra e apertou-a com força. "

 

 

José Cardoso Pires - Alexandra Alpha (1987)

Publicações Dom Quixote para Círculo de Leitores (2003)

 

 

 

 

 

 

as pessoas sensíveis


Cecília

26.10.16

As pessoas sensíveis não são capazes

De matar galinhas

Porém são capazes

De comer galinhas

 

O dinheiro cheira a pobre e cheira

À roupa do seu corpo

Aquela roupa

Que depois da chuva secou sobre o corpo

Porque não tinham outra

O dinheiro cheira a pobre e cheira

A roupa

Que depois do suor não foi lavada

Porque não tinham outra

 

" Ganharás o pão com o suor do teu rosto"

Assim nos foi imposto

E não:

" Com o suor dos outros ganharás o pão".

 

Ó vendilhões do templo

Ó construtores

Das grandes estátuas balofas e pesadas

Ó cheios de devoção e de proveito

 

Perdoai-lhes Senhor

Porque eles sabem o que fazem. 

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen in Livro Sexto 

 

 

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