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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

nosso namoro


Cecília

27
Jul16

" Sentar-me-ei na poltrona que fica no vão da janela; olharei o mar, esperando que o dia nasça; e tu, a meu lado, recuada na sombra, continuarás aguardando que seja eu o primeiro a dizer alguma coisa.

É preciso inventar? Ou contar a verdade? Só o que invento me comove; só a verdade te emociona. Teremos então de deitar à sorte: ainda não sei qual de nós merece agora reaprender a chorar. " 

 

 

David Mourão-Ferreira, in "Nem tudo é história" 

 

 OS AMANTES e outros contos, Editorial Presença, 8ª edição (1998)

a carta para o correio da caixa


Cecília

27
Jul16

"Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...

Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verão
nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
e tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
E nela te pinto nua, nua
numa chama minha e tua.
numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso ao teu gesto mimado
e à palma da tua mão...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
e a minha bola de cristal é folha de papel
E nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.

Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...

...E nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.
A mim... passou-me ao lado.

 

 

Toranja, a "Carta" 

 

Esquissos, Universal Music Portugal (2003)

 

Campeões Europeus - Hóquei em Patins - Oliveira de Azeméis 2016


Cecília

16
Jul16

"O porto está cheio de juncos, que pouco diferentes devem ser dos que Albuquerque encontrou aqui. Por entre eles, uma lancha conduz-nos a terra. Um oficial do porto soube, a bordo, a nossa nacionalidade e espalha a nova entre os colegas e tripulantes da embarcação. Este, aquele e aqueloutro acercam-se e tentam falar a nossa língua:

- Eu também sê português... Eu também sê português...

A lancha atraca, precisamente, junto à foz do pequeno rio onde os homens de Albuquerque terçaram armas pela conquista de Malaca.(...) Os malaios da lancha gritam para outros que se encontram em terra e logo estes se destacam e vêm ao nosso encontro alguns que, falando inglês ou titubeando português, se dizem compatriotas. E todos, mesmo os que não contam remoto sangue lusitano, mostram curiosidade e simpatia." 

 

 

Ferreira de Castro  – A Volta ao Mundo, II Vol 

 

Livraria Editora Guimarães & C.ª 

 

Nice, 15.07.2016


Cecília

15
Jul16

"E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram".

 

Jorge de Sena, in "Carta a meus filhos Sobre os fuzilamentos de Goya"

 

 

1789 - 14 juillet - prise de la Bastille


Cecília

14
Jul16

"On arrive enfin au gîte qui lui était destiné. On le porte en silence dans la chambre où il devait être enfermé, comme un mort qu'on porte dans un cimetière. Cette chambre était déjà occupée par un vieux solitaire de Port-Royal, nommé Gordon, qui y languissait depuis deux ans.«Tenez, lui dit le chef des sbires, voilà de la compagnie que je vous amène»; et sur-le-champ on referma les énormes verrous de la porte épaisse, revêtue de larges barres. Les deux captifs restèrent séparés de l'univers entier". 

 

Voltaire - L'Ingénu (1767)

Frida


Cecília

13
Jul16

“¿Quién diría que las manchas viven y ayudan a vivir?

Tinta, sangre, olor. (…) ¿Que haría yo sin lo absurdo y lo fugaz?”

 

Fonte: Museo Frida Kahlo 

frida-2-libbyrosof.jpg

                                                                                                                          foto por: Museu Frida Kahlo

 

 

 

 Frida Kahlo (06/7/1907 — 13/07/1954)