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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

Nariz de cera

a notícia


Cecília

22.02.19

Não temos regresso. Ninguém deve sair daqui, pois poderia levar para o mundo, juntamente com a marca gravada na carne, a terrível notícia do que, em Auschwitz, o homem teve coragem de fazer ao homem. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 

rolou, rolará


Cecília

21.02.19

unânime sabor enorme das folhas que nas mãos

se enrolam frescas

somos quase a água de um segredo

 

como se nascêssemos

com os punhos rolados no mar

o solo até à boca

os ossos vivos no abraço 

 

In Perto do Mar

 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

 

tácita


Cecília

20.02.19

Para os antigos romanos, Tácita era a deusa do silêncio e da virtude. Ela protege contra os perigos da inveja e das palavras maliciosas que carregam considerável energia negativa.

Os romanos consagravam a essa deusa o dia 20 de fevereiro.

 

in https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1cita

 

 

 

na distância


Cecília

18.02.19

Todos te viram ninguém te viu e foi então que vi

eras tu não eras tu jamais e eras tu

e sem nome na tua boca sem tua boca

eu vivi na distância inerte e nu 

 

António Ramos Rosa - Obra Poética I 

Assírio & Alvim (2018)

 

 

 

la verdad no se esconde


Cecília

15.02.19

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

 

Martha Medeiros

 

 

 

 

onde cabe a vida inteira


Cecília

13.02.19

Antes de apagar o candeeiro de cabeceira e se meter entre lençóis, com dois cobertores de lã a cobrirem-na, Mariana adivinhou os passos de Philipe a fazerem ranger o sobrado à beira do seu quarto, viu rodar a maçaneta da porta e arrependeu-se de a ter fechado à chave.

Todo o serão se esgotara em hesitações, instantes de abandono cortados por furtas receosas, decisões impulsivas refreadas por uma estúpida e sensata reflexão, pensamentos escondidos, sentimentos expostos. Nesse jogo da paixão, Philipe foi a claridade e Mariana a treva [...] Porque ela não se libertava do passado e do futuro e ele queria conquistar o presente onde cabia a vida inteira. 

 

Álvaro Guerra – Razões de Coração (1991)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

Man, I can understand how it might be
Kind of hard to love a girl like me
I don't blame you much for wanting to be free
I just wanted you to know
I loved you better than your own kin did
From the very start
It's my own fault for what happens to my heart
You see I've always known you'd go
But you just do what you gotta do
My wild sweet love
Though it may mean I'll never kiss your sweet lips again
Pay that no mind
Just find that dappled dream of yours
Come on back and see me when you can
Well, I know they make you sad
They make you feel so bad
They say you don't treat me like you should
Folks got ways to make you feel no good
I'd guess they've got no way to know
I've had my eyes wide open from the start
And boy, you never lied to me
And the part of you they'll never see
Is the part you've shown to me
So you just do what you gotta do
My wild sweet love
Though it may mean I'll never kiss those sweet lips again
Pay that no mind
Just find that dappled dream of yours
Come on back and see me
Come on back and see me when you can
 

 

todavia sabemos que


Cecília

12.02.19

Hoje, todavia sabemos que, naquela escolha rápida e sumária, avaliara-se se cada um de nós podia ou não trabalhar utilmente para o Reich; sabemos que nos campos, respectivamente de Buna-Monowitz e Birkenau, só entraram, do nosso comboio, noventa e seis homens e vinte e nove mulheres e que de todos os outros, num total de quinhentos, nem um se encontrava vivo dois dias depois [...] 

Assim morreu Emília, que tinha três anos; porque aos alemães parecia evidente a necessidade histórica de matar os filhos dos Judeus. Emília, filha do engenheiro Aldo Levi de Milão, que era uma criança curiosa, ambiciosa, alegre e inteligente; a ela, durante a viagem no vagão cheio de gente, o pai e a mãe conseguiram dar banho numa tina de zinco, em água morna que o degenerado maquinista alemão aceitara pingar da locomotiva que nos arrastava a todos para a morte. 

 

Primo Levi – Se Isto É Um Homem (1947)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

peinture_huile_turgis_11.jpg

Souffrance ou espoir d'une délivrance

 

Représentation de la souffrance de ceux qui vécurent dans les camps d'extermination. Si les personnages sont bleus c'est uniquement pour montrer l'universalité dans la persécution. Que ces personnes soient juives, catholiques, bouddhistes, protestantes, musulmanes, ou qu'elles aient la peau blanche, basanée, noire, rouge, jaune, homo bi ou hétérosexuel, cela importe peu, elles ont soufferts elles furent exterminées. Il ne doit pas y avoir de catégorie et d'ordre dans la souffrance et la persécution. aucune n'est mieux que l'autre. 

 

in http://turgis.pagesperso-orange.fr/06c-peinturgis-huile-symbolique-05.html

 

 

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