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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

sofreguidão, lentidão

E é aí que 

O ritmo (que é a nossa melhor parte) exige que recomece 

A ler avidamente. É um momento penoso porque a sofreguidão

Desfaz a leitura; 

 

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

 

Girl in the Hammock, 1873

 Winslow Homer

(1836-1910)

 

 

-te

magritte-lesamants2.jpg

 René MAGRITTE

Los amantes II (1928)

 

  

«Ler-te 

Mansamente. Amar-te mansamente. Inverter-te a química 

Da intensidade e nela repousar o pensamento que te 

Permite. E, quando assim, lamber-te o fulgor em que 

Me abismo______________________________________.»

 

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

1º Marquês de Dalí de Púbol

 

Let my enemies devour each other.


 

Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol

(11 de maio, 1904 — 23 de janeiro, 1989)

 

 

Salvador Dalí,

El Asno Putrefacto (1928)

Óleo, arena y grava sobre tabla,
61 x 50 cm
París, Collection André-Frangois Petit, ant. Collection Paul Éluard

De Onde Viemos? O que Somos? Para Onde Vamos?

“Existe sempre uma grande demanda por novas mediocridades.

Em todas as gerações, o gosto menos desenvolvido tem o maior apetite.”


Eugène-Henri-Paul Gauguin

(7 de junho, 1848 — 8 de maio, 1903)

 

 

 

Paul Gauguin

De Onde Viemos? O que Somos? Para Onde Vamos?

 

Ano: 1897
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 139 x 374,5 cm
Localização: Museum of Fine Arts, Boston, EUA

 

 

23 de abril - dia mundial do livro

O director geral convida-te a observar o planisfério pendurado na parede. A coloração diferente indica: 

os países em que todos os livros são sistematicamente apreendidos; 

os países em que só podem circular os livros publicados ou aprovados pelo Estado;

os países em que existe uma censura boçal, pouco rigorosa e imprevisível; 

os países em que a censura é subtil, culta, atenta às implicações e às alusões, gerida por intelectuais meticulosos e astutos; 

os países em que as redes de difusão são duas: uma legal e outra clandestina; 

os países em que não há censura porque não há livros, mas existem muitos leitores potenciais; 

os países em que não há livros e ninguém lamenta a sua falta; 

os países, por fim, em que saem todos os dias livros para todos os gostos e para todas as ideias, no meio da indiferença geral (...)

 

Que dado permite distinguir melhor as nações em que a literatura goza de verdadeira consideração do que as verbas aplicadas no seu controlo e repressão? Onde é objecto de tais atenções, a literatura adquire uma autoridade extraordinária, inimaginável nos países onde a deixam vegetar como um passatempo inócuo e sem riscos.  

 

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

Jean-Pierre Couarraze

 Colonne du savoir

 

 

cronometragens

o sobrinho do meu marido para o médico

- No meio de frases acertadas vai dizendo tolices

(...)

o médico para o sobrinho do meu marido

- O nosso mal é durarmos demais 

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

 Jacek Yerka

Walking lesson

 

mari

 descobri um retrato do meu marido em calções de banho na praia especado numa rocha a pesquisar caravelas e uma pergunta intrigada

- Casei com ele a sério?

 

 

António Lobo Antunes – Para Aquela Que Está Sentada No Escuro À Minha Espera (2016)
Publicações D. Quixote | Leya (2016)

 

 

Marc Chagall

Les mariés de la tour Eiffel (1939)

 

qual é melhor

Se escrevo ou leio ou desenho ou pinto,
logo me sinto tão atrasado 
no que devo à eternidade,
que começo a empurrar pra diante o tempo 
e empurro-o, empurro-o à bruta
como empurra um atrasado,
até que cansado me julgo satisfeito. 
(Tão gémeos são
a fadiga e a satisfação!)
Em troca, se vou por aí
sou tão inteligente a ver tudo o que não é comigo,
compreendo tão bem o que não me diz respeito,
sinto-me tão chefe do que está fora de mim,
dou conselhos tão bíblicos aos aflitos de uma aflição que não 
        é minha,
que, sinceramente, não sei qual é melhor:
se estar sozinho em casa a dar à manivela da vida,
se ir por aí e ser Rei de tudo o que não é meu. 


José de Almada Negreiros, Momento de Poesia (Lisboa, novembro 1939)



Poemas Escolhidos José de Almada Negreiros - Assírio & Alvim | Porto Editora 2016

 

 

Almada Negreiros

 Retrato Clássico de Arlequim (1941)