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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

egoísmo bom

Los lectores siempre se encuentran a sí mismos, de una forma o de otra, en un libro. Leer es un estímulo completamente egotista. Buscamos inconscientemente lo que nos dice algo.

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

livros órfãos

Muy a principios de la década de 1990, aquella idea suya tomó cuerpo. Un apasionado lector creó, para rendirle homenaje, la «biblioteca de los libros rechazados». Así fue como nació la Brautigan Library, que da acogida a todos los libros huérfanos de editorial que vieron la luz en los Estados Unidos. En la actualidad se halla en Vancouver * en el estado de Washington.

 

 

* En internet se encuentra fácilmente información acerca de las actividades de esa biblioteca en la página web www.thebrautiganlibrary.org

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

imaginação em movimento

 

 in http://kidcrave.com/scoop/home-library-slide/

 

 

O momento que mais conta para mim é o que antecede a leitura. Às vezes é o título que basta para acicatar em mim o desejo de um livro que se calhar não existe. Às vezes é o incipit do livro, as primeiras frases... Resumindo: se para vocês basta pouco para pôr a imaginação em movimento, a mim basta-me ainda menos: a promessa da leitura.

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

ler significa despir-se

 

 

Para esta mulher (...) ler significa despir-se de todas as intenções e de todos os preconceitos, para ficar pronta a acolher uma voz que se faz ouvir quando menos se espera, uma voz que não se sabe donde vem, de um lugar qualquer para além do livro, para além do autor, para além das convenções da escrita: do não dito, do que o mundo ainda não disse de si e ainda não tem palavras para dizer.

 

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

objetos, acessórios, pretextos

A conclusão a que cheguei é de que a leitura é uma operação sem objecto; ou que o seu verdadeiro objecto é ela própria. O livro é um suporte acessório ou inclusivamente um pretexto.

 

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

cecilia_a.jpg 

cecilia_b.jpgUm livro nunca deve ser deitado fora – há sempre que o possa ler pela primeira vez – mas, mesmo que esteja em mau estado e ilegível, há quem o consiga transformar noutro objecto. É o caso de Cecilia Levy, uma artesã sueca que pega nos livros e cadernos de banda desenhada em mau estado e

transforma-os em chávenas, copos, pires, pratos e tigelas.

Cecilia, que curiosamente já foi encadernadora, tem agora uma abordagem inversa à literatura. Ela arranca as páginas e une-as noutra forma. Para os amantes de livros este projecto pode ser um sacrilégio, mas mesmo esses não deixarão de admitir que o resultado final deste processo é interessante – mesmo que não seja especialmente prático.

 

in http://greensavers.sapo.pt/2017/05/07/como-transformar-livros-antigos-em-chavenas-copos-pires-pratos-e-tigelas/

 

 

  

bücherverbrennung

Bücherverbrennung é um termo alemão que significa queima de livros. É, muitas vezes, associado à ação propagandística dos nazistas, organizada entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, poucos meses depois da chegada ao poder de Adolf Hitler. Em várias cidades alemãs, foram organizadas, nesta data, queimas de livros em praças públicas, com a presença da polícia, bombeiros e outras autoridades.(...)

in https://pt.wikipedia.org/wiki/Queima_de_livros_na_Alemanha_Nazista

 

 

Entre os livros queimados pelos nazistas estavam obras de Thomas Mann, Heinrich Mann, Walter Benjamin, Bertold Brecht, Erich Kästner (que, anônimo, assistia a tudo), Robert Musil, Erich Maria Remarque, Joseph Roth, Nelly Sachs, Franz Werfel, Sigmund Freud, Albert Einstein, Karl Marx e Heinrich Heine. (...) 

A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. A burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também os outros países acompanharam a destruição à distância, chegando a minimizar a queima como resultado do “fanatismo estudantil”. (...)

 

Certa vez, um dos queimados, Heinrich Heine (1797-1856), escreveu: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.”

 

in http://miltonribeiro.sul21.com.br/2014/05/10/hoje-faz-aniversario-a-queima-de-livros-a-bucherverbrennung-veja-fotos-e-filmes/

 

 

 

23 de abril - dia mundial do livro

O director geral convida-te a observar o planisfério pendurado na parede. A coloração diferente indica: 

os países em que todos os livros são sistematicamente apreendidos; 

os países em que só podem circular os livros publicados ou aprovados pelo Estado;

os países em que existe uma censura boçal, pouco rigorosa e imprevisível; 

os países em que a censura é subtil, culta, atenta às implicações e às alusões, gerida por intelectuais meticulosos e astutos; 

os países em que as redes de difusão são duas: uma legal e outra clandestina; 

os países em que não há censura porque não há livros, mas existem muitos leitores potenciais; 

os países em que não há livros e ninguém lamenta a sua falta; 

os países, por fim, em que saem todos os dias livros para todos os gostos e para todas as ideias, no meio da indiferença geral (...)

 

Que dado permite distinguir melhor as nações em que a literatura goza de verdadeira consideração do que as verbas aplicadas no seu controlo e repressão? Onde é objecto de tais atenções, a literatura adquire uma autoridade extraordinária, inimaginável nos países onde a deixam vegetar como um passatempo inócuo e sem riscos.  

 

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

Jean-Pierre Couarraze

 Colonne du savoir

 

 

rechazos

El protagonista trabaja en una biblioteca que acepta todos los libros que han rechazado las editoriales. Se puede uno encontrar allí, por ejemplo, con un hombre que ha acudido a dejar un manuscrito tras haber padecido cientos de rechazos. Y de esa forma se van juntando ante los ojos del narrador libros de todo tipo. Se puede dar allí tanto con un ensayo como El cultivo de las flores a la luz de las velas en una habitación de hotel cuanto con un libro de cocina que recoge todas las recetas de los platos que aparecen en la obra de Dostoievski. Una gran ventaja de esta organización: es el autor quien elige el lugar que quiere en los estantes. Puede deambular entre las páginas de sus colegas malditos antes de localizar el sitio que le corresponde en esa forma de antiposteridad. En cambio, no se acepta ningún manuscrito que llegue por correo. Hay que ir en persona a dejar la obra que no ha querido nadie, como si esa acción simbolizara la voluntad postrera de abandonarla definitivamente. 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

há uma linha que separa

Há uma linha de demarcação: de um lado estão os que fazem os livros, do outro os que os lêem. Eu quero continuar a ser das que os lêem, por isso tenho o cuidado de me manter sempre para cá dessa linha. Se não, o prazer desinteressado de ler acaba, ou pelo menos transforma-se noutra coisa, que não é o que eu quero. É uma demarcação imprecisa, com tendência para se desvanecer: o mundo dos profissionalmente ligados aos livros está cada vez mais povoado e tende a identificar-se com o mundo dos leitores. É certo que os leitores também são cada vez mais numerosos, mas dir-se-ia que os que usam os livros para produzirem outros livros crescem mais do que os que gostam de ler os livros e nada mais. Sei que se transpuser essa fronteira, mesmo ocasionalmente, por acaso, corro o risco de me confundir com esta maré que avança 

 

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

 créditos imagem: http://indiqueumlivro.literatortura.com/wp-content/uploads/2014/12/great-place.jpg