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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

cântico da mulher grávida

Mexes-te no meu ventre. Estarás satisfeito ou impaciente, meu filho? Quem me dera saber!

Serás belo, belo como o teu pai. Terás o corpo esbelto como os pinheiros nos montes e os olhos meigos como as corças da floresta.

A tua bondade será cristalina como a água das fontes e a tua inteligência vigorosa como a brisa que vem do mar.

Mas ai! se não fores perfeito?...Ai! se te faltarem as mãos, um braço, ou a luz dos olhos?...Ai! se te olharem com desprezo ou com fingida piedade...

Chorarei então, meu filho, mas amar-te-ei ainda mais. O meu coração só velará por ti e encontrará sempre palavras para te confortar.

Plantei no meu jardim macieiras, pessegueiros, graminha verde, flores garridas.

Procurei enfeites de cor e de alegria, agasalhos macios, tecidos leves e transparentes.

Meu filho, como eu te amo já! Como quero a tua felicidade! Hei-de ensinar-te lindos versos; inventar histórias maravilhosas e embalar-te com as mais doces canções.

Doem-me os seios! Dor abençoada! É o leite que tu beberás!

Brilha sol! Abri-vos rosas! Macieiras, pessegueiros, árvores todas do meu jardim, flori!

Pássaros, cantai! Rasgai a terra, águas das fontes! Alma, coração, rejubilai!
O meu filho vai nascer!

 

 

 

Ilse Losa

(20 de março, 1913 — 6 de janeiro, 2006)

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