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Nariz de cera

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

anotações e apontamentos que dizem tudo - de, por e para mim - por si mesmos.

naufrágio de um barco rabelo

Foi um próspero comerciante e também um lavrador de vistas largas. Não limitou a sua actividade à exportação do vinho do Porto. Cultivou a vinha, plantou olivais e produziu azeite segundo conceitos vanguardistas; foi fabricante de vinagres e dedicou-se ainda ao linho, que aprendeu a «malhar, tascar,espadar e pentear». 

Trabalhava desde o romper do dia até à hora do jantar, que se fazia, naquela época, por volta das seis da tarde. 

Desenhou e ilustrou mapas da região vinhateira; e munido de um lápis ou pincel, recolheu e arquivou aspectos, tipos, usos e costumes da nossa terra e da nossa gente (...) 

Joseph Forrester viveu na sua casa da Ramada Alta, onde recebia as figuras de maior relevo na vida política, económica e social do seu tempo. Por via disso, exerceu uma grande influência na sociedade portuense dessa época. O Governo português distinguiu-o, em 1855, com o título de barão de Forrester, como recompensa pelos relevantes serviços prestados à causa do Douro vinhateiro. Pois este homem da lavoura duriense, este comerciante do vinho do Porto, este artista e fidalgo, impulsionador da economia e da geografia agrária do Douro, este artista de rara sensibilidade e de aguda inteligência, veio a morrer no naufrágio de um barco rabelo, ocorrido na manhã de domingo do dia 12 de Maio de 1861. 

O desastre verificou-se no Cachão da Valeira, curiosamente um dos sítios mais traiçoeiros que havia no Douro e que Forrester estudara minuciosamente. Regressava à Régua de uma visita à Quinta do Vesúvio, de que eram proprietários Francisco José da Silva Torres e sua mulher, D. Antónia Adelaide Ferreira, a célebre Ferreirinha. Viajavam no barco, além do barão e deste casal, a condessa e o conde de Azambuja, respectivamente filha e genro de D. Antónia; o juiz Aragão Mascarenhas e ainda dois criados da Quinta do Vesúvio. O naufrágio ocorreu porque o barco não conseguiu vencer a corrente impetuosa das águas, que haviam engrossado desmesuradamente devido às fortes bátegas que tinham caído nos dias anteriores. Morreram no acidente o barão de Forrester e os dois serviçais da família Torres. Uma versão popular do naufrágio diz que o barão foi rapidamente ao fundo por causa do peso das libras que trazia com ele para a compra de vinho e porque usava umas botas altas, que se encheram de água e lhe tolheram os movimentos, impossibilitando-o de nadar. Outra versão, e esta mais aceitável, diz que quando o rabelo se voltou o barão de Forrester foi atingido na cabeça pelo mastro do barco, tendo, com a pancada, perdido os sentidos, afundando-se. Na esteira da primeira narrativa popular, surge uma outra que atribui o salvamento de D. Antónia Ferreira ao facto de ela usar uma ampla saia rodada que em contacto com a água se abriu e terá servido de bóia, contribuindo para que a Ferreirinha flutuasse facilmente. Mas isto são apenas narrativas lendárias. Uma coisa é certa: o corpo do malogrado negociante de vinho do Porto, não obstante as intensas e exaustivas buscas que se fizeram, nunca mais apareceu. 

 

 

Germano Silva e Lucília Monteiro – Porto, a Revolta dos Taberneiros e Outras Histórias (2004)

Editorial Notícias (maio 2004)

 

 

 

 

 

 

 

imaginação em movimento

 

 in http://kidcrave.com/scoop/home-library-slide/

 

 

O momento que mais conta para mim é o que antecede a leitura. Às vezes é o título que basta para acicatar em mim o desejo de um livro que se calhar não existe. Às vezes é o incipit do livro, as primeiras frases... Resumindo: se para vocês basta pouco para pôr a imaginação em movimento, a mim basta-me ainda menos: a promessa da leitura.

 

Italo Calvino – Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (1979)
Coleção Mil Folhas PÚBLICO (2002)

 

 

-te

magritte-lesamants2.jpg

 René MAGRITTE

Los amantes II (1928)

 

  

«Ler-te 

Mansamente. Amar-te mansamente. Inverter-te a química 

Da intensidade e nela repousar o pensamento que te 

Permite. E, quando assim, lamber-te o fulgor em que 

Me abismo______________________________________.»

 

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

madonna em lisboa *

porque os Portugueses nunca se denunciam na maneira de melhor servir a sua terra

 

almada - Lx. Abril 1922

 

 

Ainda não vi em Lisboa o Fassbender, a Madonna, o Cantona, muito menos a Belluci. Mas vi o Almada Negreiros na Gulbenkian.

@JoseDePina

José de Pina@JoseDePina

 

 * http://museudearteantiga.pt/exposicoes/madonna

por fin

como si el deseo más intenso pudiera desembocar en una calma no menos excitante (...) El cuerpo de Delphine había hallado el destino tan perseguido. Frédéric se notaba por fin apaciguado; se le iba colmando una carencia no identificada hasta el momento. Y ambos sabían que eso que estaban viviendo no sucedía nunca. O sucedía a veces en la vida de los demás. 

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

 

 

arenas grandes

Vivemos num mundo de dores muito mais abruptas. 

O espectro do visível é comparativamente um arco

De consolação estranho que nosso olhar tenha criado. 

Quando tiveres dez anos, vou ensinar-te a sonhar o 

Dobro da realidade. Manterás as mãos abertas. Na 

Práctica, «Toda a idade desaparece, quando se escreve 

Ao vivo» e à esperança se não dá crédito. 

 

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

 

rugas (II)

Às crianças contamos histórias,

E limpeza, ordem e fala lhes pedimos. Aos adultos falamos

De afectos e vamos prevenindo que será uma desgraça.

Aos velhos apresentamos o resultado. 

 

 

Maria Gabriela Llansol - O Começo de Um Livro É Precioso
Assírio & Alvim (outubro 2003)

 

 

 

 

 

rugas (I)

 Arrugas

Rugas

 

 

  • ¿ Quieren tomar algo? – preguntó acto seguido Madeleine.
  • Con mucho gusto.
  • ¿ Qué quieren?
  • Lo que haya – contestó Delphine, que ya se había dado cuenta de que más valía no llevarle la contraria. La mujer se fue a la cocina y dejó a los invitados en el salón. La pareja se miró en un silencio apurado. No tardó en volver Madeleine con dos tazas de té al caramelo.

Frédéric se tomó el té por cortesía, aunque lo que más asco le daba en el mundo era el aroma a caramelo.

(…)

  • Muchas gracias por haber sacado tiempo para atendernos.
  • Nada de gracias. ¿ Les ha gustado el té al caramelo?
  • Sí, gracias – contestaron Delphine y Frédéric a dúo.
  • Me alegro, porque me lo regalaron y no me gusta nada. Así que intento darle salida cuando tengo invitados.

Al ver la casa de asombro de los parisinos, Madeleine añadió que lo decía en broma. Según iba envejeciendo, se percataba de que nadie pensaba ya que fuera capaz de tener sentido del humor. Claro, los viejos no pueden por menos de convertirse en unas personas lúgubres que no entienden nada ni son capaces del menor ingenio.  

 

 

David Foenkinos - La biblioteca de los libros rechazados (2016)
Titulo original: Le Mystère Henri Pick
Traducción de María Teresa Gallego Urrutia y Amaya García Gallego
Penguin Random House Grupo Editorial S.A.U. (febrero, 2017)

 

 

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